Joaquim da Silva Rabelo (da Silva Rabelo Caneca), Frei Caneca (1779 - 1825)

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Nicknames: "Joaquim do Amor Divino"
Birthdate:
Birthplace: Recife, Pernambuco, Brazil
Death: Died in Recife, Pernambuco, Brazil
Cause of death: Fuzilamento
Managed by: Antônio João CALDAS
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Immediate Family

About Joaquim da Silva Rabelo (da Silva Rabelo Caneca), Frei Caneca

Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo, mas popularmente conhecido apenas como Frei Caneca, foi um religioso e político brasileiro. Esteve implicado na Revolução Pernambucana (1817) e na Confederação do Equador (1824). Como jornalista, esteve à frente do Typhis Pernambucano.


À seu respeito, refere Evaldo Cabral de Melo: "O homem que, na história do Brasil, encarnará por excelência o sentimento nativista era curiosamente um lusitano 'jus sanguinis'." “Quem bebe da minha "caneca" tem sede de liberdade!”

Biografia


Filho primogênito de um tanoeiro português, Domingos da Silva Rabelo, e de sua esposa, Francisca Maria Alexandrina de Siqueira, incorporou ao nome o apelido que o pai ganhara por sua profissão: Caneca. A família residia em Fora-de-Portas,Portugal bairro edificado ao tempo dos Neerlandeses para o serviço do porto, de vocação artesanal e marcadamente portuguesa. A sua mãe tinha um primo carmelita, o que pode explicar que tenha-se tornado noviço do Carmo, e tomado o hábito em 1796, no Convento de Nossa Senhora do Carmo, onde professou no ano seguinte (1797).


Ordenou-se em 1801, com a necessária dispensa apostólica de idade pois tinha 22 anos, e passou a ser conhecido como Joaquim do Amor Divino. Criado o Seminário de Olinda, obteve autorização para cursar ali as disciplinas que a Ordem não lhe havia oferecido. Frequentava a biblioteca do Seminário e a dos Oratorianos, em Recife, formando a sua notável erudição. Em 1803 foi nomeado professor de Retórica e Geometria de seu convento, onde lecionou posteriormente Filosofia racional e moral. A partir de certo momento, o "seu interesse extrapolou os muros do claustro, como indica seu provimento na cadeira pública de geometria da comarca de Alagoas". Ali permaneceu pouco tempo, dada a perspectiva de nomeação para idêntica cadeira no Recife, a qual não se concretizou pela Revolução de 1817.


De ideias liberais, partilhava ideias republicanas e frequentou a Academia do Paraíso, um dos centros de reunião daqueles que, influenciados pela Revolução Francesa e pela independência dos EUA, conspiravam contra o jugo português.


Movimento em Pernambuco e prisão na Bahia


Participou ativamente da chamada Revolução Pernambucana (1817), que proclamou uma República e organizou o primeiro governo independente na região. Não há referência a participação sua, diz Cabral de Mello, "nos acontecimentos inaugurais da sedição de 6 de março, como a formação do governo provisório. Assim é que da relação dos eleitores que o escolheram, não consta seu nome. Sua presença só se detecta nas últimas semanas de existência do regime, ao acompanhar o exército republicano que marchava para o sul da província a enfrentar as tropas do conde dos Arcos, ocasião em que, segundo a acusação, teria exercido de capitão de guerrilhas." Era conselheiro do exército republicano do sul, comandado pelo coronel Suassuna. Com a derrota do movimento, foi preso e enviado para Salvador, na Bahia. Ali passou quatro anos detido, dedicando-se à redação de uma gramática da língua portuguesa.


Retorno a Pernambuco


Libertado em 1821, no contexto do movimento constitucionalista em Portugal, Frei Caneca voltou a Pernambuco e retomou as atividades políticas. Durante a sua viagem, chegou a ser detido ainda na antiga cadeia de Campina Grande.


Em 1821 esteve implicado no chamado movimento de Goiana, uma segunda sedição emancipacionista que, com apoio dos principais proprietários da mata norte e algodoeira da província, proclamou adesão às Cortes de Lisboa. Um exército de milícias rurais e da tropa de primeira linha marchou contra o Recife, sem ocupar a cidade. Os goianistas tampouco conseguiram adesão substancial na mata sul. A "Convenção do Beberibe" consagrou em setembro o "status quo", prevendo que as juntas de Recife e de Goiana continuariam a atuar nas áreas sob seu controle, à espera de decisão das Cortes. Estas determinaram a eleição de uma Junta Provisória e foi instalado o primeiro governo autônomo da província em outubro de 1821.


A Junta Governativa de Gervásio


Frei Caneca apoiou a formação da primeira Junta Governativa de Pernambuco, presidida por um comerciante, Gervásio Pires Ferreira, que o nomeou para a cadeira pública de geometria da vila do Recife. Foi uma Junta muito recifense, em que o poder veio ao clero, às camadas urbanas, ao comércio, às Forças Armadas, às profissões liberais - as forças derrotadas em 1817. Gervásio foi a figura dominante de um governo que atuou para buscar o consenso, líder de um setor do comércio português já nacionalizado pela residência, pelo nascimento, por laços de família com a terra. E tinha pertencido ao governo do movimento de 1817, companheiro de Frei Caneca nas prisões da Bahia.


Em 1822 Frei Caneca, que apoiou com entusiasmo a Junta, redigiu a "Dissertação sobre o que se deve entender por pátria do cidadão e deveres deste para com a mesma pátria". Queria dar formulação teórica a um dos principais objetivos de Gervásio, conciliar o comércio português da província com a nova ordem de coisas. Sua principal tese é a de que os portugueses domiciliados na terra e a ela ligados por vínculos de família e dos interesses deviam ser considerados tão pernambucanos quanto os naturais da terra.


O dilema era entretanto grande. Diz Evaldo Cabral de Mello, página 25 da obra citada: «As Cortes de Lisboa, por um lado, e a regência de d. Pedro, por outro, encarnavam, em termos das aspirações de 1817, opções igualmente legítimas, se bem que incompletas e contraditórias. Por um lado, o Soberano Congresso oferecia um regime liberal, sob uma monarquia constitucional, muito embora, a partir de fevereiro de 1822, ficasse claro no Brasil que elas cobrariam o preço da não restauração pura e simples do monopólio comercial, que era impossível ressuscitar, mas de um sistema preferencial para o comércio e a navegação portugueses. Por sua vez, a regência do Rio prometia a liberdade de comércio e a Independência mas com a fatura previsível da construção de um regime autoritário baseado no centro-sul.»


O governo de Gervásio tentou ganhar tempo, à espera de uma conjuntura que lhe permitisse salvar ambas opções, sem descartar inteiramente a separação tanto de Lisboa quanto do Rio. (A Junta será anatemizada de Varnhagen a José Honório Rodrigues, acusada de carecer de sentimento nacional; sua defesa será feita por Barbosa Lima Sobrinho).


Sob a pressão de um motim castrense, a junta de Gervásio Pires Ferreira foi coagida a aderir à causa do Rio de Janeiro e terminou deposta por uma quartelada, formando-se um governo denominado «governo dos matutos», em outubro de 1822.


A Junta dos Matutos


Em 23 de setembro de 1822 foi eleita a chamada «Junta dos Matutos», que substituiu a Junta gervasiana. Seu governo se estenderia até dezembro de 1823. Era dominado por representantes da grande propriedade territorial. Membros eleitos da Junta foram, como presidente, Afonso de Albuquerque Maranhão, como secretário José Mariano de Albuquerque, e como membros Francisco Pais Barreto, o morgado do Cabo; Francisco de Paula Gomes dos Santos, Manuel Inácio Bezerra de Melo, Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque e João Nepomuceno Carneiro da Cunha.


É ao tempo do governo dos Matutos que verdadeiramente frei Caneca ingressou na liça ideológica. Datam de então, diz Cabral de Mello, sua polêmica com José Fernandes Gama e seu sobrinho, o Desembargador Bernardo José da Gama, cabeças da conspiração que derrubara Gervásio, e as «Cartas de Pítia a Damão». Tendo ficado comprometidos na ´Pedrosada´, tentativa frustrada de derrubar a Junta dos Matutos, os Gamas tentaram recuperar-se na corte e delataram o que chamavam facção republicana da província, elaborando uma lista de pessoas na qual figurava o frade.


Segundo a mesma obra, página 15: «Frei Caneca passou à oposição, sem combatê-la, porém, frontalmente, preferindo empenhar-se contra o grupo que, no Rio de Janeiro, pretendia ditar a sorte da província. Frei Caneca pronunciou mesmo a oração gratulatória por ocasião da cerimônia de ação de graças, na igreja do Corpo Santo, pela aclamação de Pedro I como imperador. Só a partir da constituição do governo de Manuel de Carvalho Pais de Andrade que, sete meses depois da posse proclamará a Confederação do Equador, há sinais de colaboração estreita do frade com o poder, mas ainda sob a forma de atividade jornalística e, esporadicamente, dando seu parecer sobre algumas das grandes decisões que deveria tomar o governo.»


A primeira de suas Cartas saiu a 17 de março de 1823, logo após a ´Pedrosada´. Eram publicadas no Correio do Rio de Janeiro, periódico de propriedade de João Soares Lisboa, que participaria da Confederação do Equador, morrendo em 30 de setembro de 1824, ferido em combate durante sua fuga pelo interior de Pernambuco ao lado de frei Caneca e seus demais companheiros.


Este Pedrosa, ou Pedro da Silva Pedroso, era o governador das armas da província que refez contra Pais Barreto a aliança que derrubara Gervásio, sem que se pudesse destitui-lo, pelo apoio recebido dos Gama, na corte.


Frei Caneca nunca combateu a Junta dos Matutos, composta de representantes da mata norte e sul da província, cujos interesses eram divergentes. Preferiu centrar fogo contra a facção pernambucana da Corte que endossava a política pessoal do imperador, seja sob José Bonifácio, seja sob seus sucessores.


Quanto à Pedrosada, a devassa instaurada pronunciou Pedrosa e Paula Gomes, membro do governo, e José Fernandes Gama, mas a proteção imperial fez com que nenhum fosse punido. Dividida e desmoralizada, a Junta dos Matutos arrastou uma triste resistência até dezembro de 1823 quando renunciou. Enfrentava de um lado a oposição dos antigos gervasistas reunidos ao redor do intendente da Marinha Manuel de Carvalho Pais de Andrade e de Cipriano Barata, que regressara das Cortes de Lisboa; do outro, as pressões do Rio de Janeiro, que exigia de Pernambuco as quantias mensais do tempo do rei e ainda mais dois milhões, equivalentes às remessas feitas para Portugal após a partida do rei.


A Confederação do Equador


É indispensável conhecer-se o contexto político e provincial das obras políticas de Frei Caneca, a situação em que viviam Pernambuco e as demais províncias, para entender o movimento que representou a Confederação do Equador - abafado sob ´o peso da tradição saquarema na historiografia brasileira da Independência´, ou seja, o que Evaldo Cabral de Mello chama ´a historiografia da corte fluminense e dos seus epígonos na República´ que reivindicam para as três grandes províncias do Sudeste o papel de construtores da nacionalidade. O ciclo revolucionário pernambucano não pode, é claro, ser considerado separatista - mas a presunção de separatismo foi consequência do hiato ocorrido entre o processo de emancipação no Sudeste e no Nordeste. No Rio, diz Cabral de Mello, ´a Independência começou como uma disputa entre absolutistas e liberais em torno da organização do Reino Unido e mesmo depois não se cogitou de separação de Portugal mas tão-somente de preservação dos status adquirido pelo Brasil no interior do Império lusitano. A situação era muito diferente no Nordeste, onde a Independência já começou com uma disputa entre colônia e metrópole, com a diferença de que esta última já não estava em Lisboa mas no Rio de Janeiro...


Em 1823 durante o movimento conhecido como ´Pedrosada´, Frei Caneca redigiu «O Caçador» e as «Cartas de Pítia a Damão». Diz Cabral de Mello, página 29 da obra citada: «Na euforia que se seguiu à revolução liberal do Reino, as expectativas do comércio e da lavoura no tocante à redução da carga fiscal não eram menores do que no resto do Brasil. Eram talvez maiores, de vez que com a instalação da corte em 1808 ela fora sobrecarregada de novos tributos destinados inclusive à iluminação pública do Rio, prontamente revogados pela junta de Gervásio. (...) O estado de falência a que ficara reduzido o Banco do Brasil com o regresso de d. João VI e a criação das juntas provinciais haviam limitado seriamente a ação da Corte, que só dispunha dos recursos da alfândega e da província do Rio, de vez que as demais províncias também negaceavam. Destarte, a adesão do Norte ao imperador era sobretudo uma questão de premente caráter financeiro, o café não proporcionando até os meados dos anos 30 a principal rubrica da receita fiscal, a qual devia provir, por conseguinte, do açúcar e do algodão, produtos predominantemente nortistas.»


Evaldo Cabral de Mello considera que seria mais apropriado, em vez de republicanismo pernambucano, considerar seu autonomismo. ´O projeto da revolução era antigo em Pernambuco´, comentaria posteriormente o desembargador da Alçada que julgou o movimento. Havia «uma releitura da história provincial à luz da modernidade revolucionária representada pela filosofia política do século das luzes e da Revolução Francesa». Para Frei Caneca e o Partido Autonomista, escarmentados pelo fracasso republicano em 1817, «a autonomia provincial tinha prioridade sobre a forma de governo». Estariam prontos a entrarem num compromisso com o Rio, o qual, em troca da aceitação do regime monárquico, daria amplas franquias às províncias. Não haveria porque rejeitar a monarquia, desde que autenticamente constitucional e desde que preservasse as franquias. A leitura do jornal de Cipriano Barata, «A Sentinela da Liberdade», desmente as acusações de republicanismo.


Em 1824 Frei Caneca se tornou um dos conselheiros de Manuel de Carvalho Pais de Andrade, opinando contra o reconhecimento de Francisco Pais Barreto, o morgado do Cabo, como presidente de Pernambuco. Opinou pela invasão de Alagoas, com vistas a debelar as forças contra-revolucionárias do morgado do Cabo; e contra o juramento da Constituição outorgada por D. Pedro I. Diz Evaldo Cabral de Mello que «frei Caneca subestimava os meios à disposição da Corte do Rio, superestimando, por outro lado, a vontade local de resistência ao despotismo fluminense (...)».


Tomou parte, com Cipriano Barata, como um dos líderes na Confederação do Equador, movimento republicano e separatista. Seus argumentos não se dirigiam contra o imperador mas contra o que considerava a derrapagem autoritária de José Bonifácio. Após o 7 de Setembro, «o acirramento da luta entre José Bonifácio e os liberais da Corte havia levado à censura da imprensa, com o fechamento de jornais e o atentado contra o diretor da Malagueta, e à prisão de mais de 300 indivíduos, os mesmos que se haviam batido pela Independência desde a partida de D. João VI». Havia outras razões de insatisfação: as exigências do erário fluminense, o projeto de Constituição divulgado pelo Correio Braziliense em setembro de 1822, a criação do batalhão de suíços, a fundação do Apostolado, a instituição da Imperial Ordem do Cruzeiro, vista como «o clube dos aristocratas servis».


O Typhis Pernambucano


Em 25 de dezembro de 1823 circulou o primeiro número do "Typhis Pernambucano", jornal que seria a trincheira de frei Caneca até à liquidação da Confederação. De sua leitura depreende-se que ainda considerava culpados da situação o partido português do Rio e o ministério que sucedera ao de José Bonifácio. A dissolução da Assembleia tomara Pernambuco de surpresa mas «de 2 de julho em diante a história da Confederação se tornou a narrativa de uma derrota». D. Pedro I suspendeu as garantias constitucionais na província, punindo-a territorialmente pois amputou a comarca do São Francisco que constituía a margem esquerda do rio São Francisco, hoje incorporada ao território da Bahia. O Recife foi submetido a bloqueio naval, desta vez pelo almirante Cochrane, que canhoneou a cidade. Pernambuco foi invadido pelo sul pelas tropas do brigadeiro Lima e Silva - a mata sul canavieira permaneceu indiferente - e a 12 de setembro de 1824 seus soldados ocuparam Recife.


Outra vez derrotado, refugiou-se com parte das tropas no interior, indo para o norte, rumo ao Ceará. Esteve no distrito, hoje município, de Abreu e Lima, de onde, pouco depois, fugiu para o Ceará. Nessa ocasião, escreveu o «Itinerário».


Prisão e fuzilamento


Foi detido no exercício de suas funções de Secretário das tropas sublevadas, das quais era também orientador espiritual, pelas tropas imperiais a 29 de novembro, sendo conduzido para o Recife.


Em 18 de Dezembro de 1824 ali foi instalada uma comissão militar sob a presidência do coronel Francisco de Lima e Silva (pai do futuro Duque de Caxias) para proceder ao seu julgamento sob a acusação do crime de sedição e rebelião contra as imperiais ordens de sua Majestade Imperial. Com plenos poderes para julgar e condenar sumariamente, o acusado foi condenado à morte por enforcamento. O próprio condenado descreveu o seu julgamento:

"No dia 20 fui eu conduzido perante o assassino tribunal da comissão de que eram membros o general Francisco de Lima e Silva, presidente; juiz relator, Tomás Xavier Garcia de Almeida; e vogais, o coronel de engenharia Salvador José Maciel, o tenente-coronel de caçadores Francisco Vicente Souto; o coronel de caçadores Manuel Antônio Leitão Bandeira; o conde de Escragnolle, que foi o meu interrogante." ("Itinerário", in: Frei Joaquim do Amor Divino Caneca. Coleção Formadores do Brasil, 1994. p. 604

Nos autos do processo Frei Caneca é indiciado como um dos chefes da rebelião, "escritor de papéis incendiários", sendo os dois outros chefes, Agostinho Bezerra Cavalcanti, capitão de granadeiros e comandante do 4º Batalhão de Artilheiros Henriques, e Francisco de Souza Rangel, por ser do corpo de guerrilha e achado com os dois primeiros.


Ao todo foram executados onze confederados, dos quais três no Rio de Janeiro. O primeiro deles foi frei Caneca.


A 13 de janeiro de 1825, foi armado o espetáculo do enforcamento diante dos muros do Forte das Cinco Pontas. Despojado do hábito religioso, ou seja, «desautorado das ordens» na igreja do Terço, na forma dos sagrados cânones», ainda assim tendo três carrascos que se recusaram a enforcá-lo. A Comissão Militar ordenou seu arcabuzamento, («visto não poder ser enforcado pela desobediência dos carrascos»), atado a uma das hastes da forca, por um pelotão sob o comando do mesmo oficial. Seu corpo foi colocado junto a uma das portas do templo carmelita, no centro do Recife, sendo recolhido pelos religiosos e enterrado em local até hoje não identificado.


Quanto aos demais protagonistas, conta Evaldo Cabral de Mello que Manuel de Carvalho se refugiou a bordo de fragata inglesa, indo viver em Londres, de onde só retornará após a abdicação para reiniciar uma carreira política que o levará à presidência de Pernambuco e ao Senado do Império. O poeta Natividade Saldanha, secretário da Junta, se asilou na Venezuela e depois em Bogotá onde exerceu a advocacia e morreu em 1830.

Atividades Maçônicas

É relacionado como membro da Maçonaria Brasileira pela obra O QUE É MAÇONARIA, de A.Tenório Cavalcante Albuquerque, 7a Ed., Editora Aurora, Rio de Janeiro, p.231.

Fonte: (http://pt.wikipedia.org/wiki/Frei_Caneca)

Joaquim do Amor Divino Rabelo e Caneca (Recife PE 1779 - idem 1825). Tornou-se frei da ordem carmelita, no Convento de Nossa Senhora do Carmo, em 1796. Produziu, entre 1796 e 1817 o Tratado de Eloquência, entre outros, no Recife PE. Em 1981 passou a integrar a Academia do Paraíso, centro de instrução e difusão das idéias liberais, constituída elos padres Arruda Câmara e João Ribeiro Pessoa. Entre 1817 e 1823 traduziu o texto francês O Espelho das Mulheres ou a Arte de Realizar, por meio das Graças, os Encantos da Formosura e o texto da Enciclopédia Inglesa, História da Franco-Maçonaria. Participou na Revolução de 1817, movimento republicano pela independência do Brasil, o que lhe custou quatro anos de prisão em Salvador BA.

Na prisão, foi professor do "povo rude e que não tem aplicação às letras", redigindo para isso um Breve Compêndio de Gramática Portuguesa. Em 1924 participou na Confederação do Equador, e foi condenado à morte. Entre 1875 e 1876 ocorreu a publicação póstuma das Obras Políticas e Literárias de Frei do Amor Divino Caneca, organizadas por Antonio Joaquim de Melo. Para o crítico José Guilherme Merchior, Frei Caneca, carmelita do Recife, líder e mártir da Confederação do Equador, tribuno do separatismo nortista, é um mestre da verrina, um artista da catilinária violenta, que tanto injuria os 'corcundas' - os partidários da recolonização - quanto os moderados como Hipólito. Sua linguagem elétrica e sarcástica não tem maiores vôos teóricos, mas é o ancestral perfeito de toda a prosa panfletária nacional."

NASCIMENTO/MORTE 1779 - Recife PE

1825 - Recife PE - 13 de janeiro

Fuzilamento

LOCAIS DE VIDA/VIAGENS 1774/1817 - Recife PE

1817/1821 - Salvador BA - Prisão

1824 - Ceará - Viagem como líder da tropa confederada

VIDA FAMILIAR Filiação: Domingos da Silva Rabelo (português, tanoeiro) e Francisca Maria Alexandrina de Siqueira (brasileira)

1825 - Salvador BA - Correspondência com três jovens de nomes Carlota, Joaninha e Aninha, provavelmente suas filhas

FORMAÇÃO 1796 - Recife PE - Hábito de carmelita no Convento de Nossa Senhora do Carmo

CONTATOS/INFLUÊNCIAS Influência de Pe. Arruda Câmara

Convivência com Cipriano Barata, José da Natividade Saldanha, Manuel de Carvalho Pais de Andrade, Tristão Gonçalves de Alencar Araripe

ATIVIDADES LITERÁRIAS/CULTURAIS 1796/1817 - Recife PE - Produção, entre outros, do Tratado de Eloquência

1801 - Recife PE - Membro da Academia do Paraíso, centro de instrução e difusão das idéias liberais, constituída pelos padres Arruda Câmara e João Ribeiro Pessoa

1803 - Recife PE - Professor de Retórica e Geometria, no Convento de Nossa Senhora do Carmo

1817/1823 - Recife PE - Tradutor do texto em francês O Espelho das Mulheres ou a Arte de Realizar, por meio das Graças, os Encantos da Formosura e do texto da Enciclopédia Inglesa, História da Franco-Maçonaria

1817/1821 - Salvador BA - Professor, na prisão, do "povo rude e que não tem aplicação às letras", redigindo para isso um Breve Compêndio de Gramática Portuguesa

1875/1876 - Recife PE - Publicação póstuma das Obras Políticas e Literárias de Frei do Amor Divino Caneca, organizada por Antonio Joaquim de Melo

ATIVIDADES SOCIOPOLÍTICAS 1817 - Recife PE - Participação na Revolução de 1817, movimento republicano pela independência do Brasil

1817/1821 - Salvador BA - Pena de quatro anos de prisão

1823/1824 - Recife PE - Publicação do jornal O Tifis Pernambucano, de crítica política

1823 - Recife PE - Redação de dez Cartas de Pítia a Damão, escritor que exprime as idéias da dissidência pernambucana

1824 - Recife PE - Participação na Confederação do Equador

1825 - Recife PE - Condenado à morte. Sua execução foi adiada por várias vezes porque os carrascos recusavam-se a enforcá-lo. O coronel Lima e Silva mudou a sentença para fuzilamento

OUTRAS ATIVIDADES 1803c. - Recife PE - Secretário do visitador Frei Carlos de São José, bispo do Maranhão

HOMENAGENS PÓSTUMAS 1869 - Recife PE - Monumento em homenagem ao escritor

Fonte: www.itaucultural.org.br

Frei CanecaO homem que desafiou o despotismo de dom Pedro I e, por isso, foi fuzilado, sem nunca deixar de defender um sentimento nativista, era um lusitano jus sanguinis. Frei Joaquim do Amor Divino Caneca (1779-1825), esse homem, era filho de Domingos da Silva Rabelo, português de nascimento, tanoeiro de profissão. Sua mãe era pernambucana, filha de um lisboeta, cuja mãe vivera no Bairro Alto, onde ganhara o apelido de Ruibaca, devido a sua ruividão.

Seria, portanto, Frei Canecaruivo, o que não impediu de o acusarem de filho de “dois pardos comedidos”. Ao que ele rebateu que, ao longo de três gerações, seus antepassados eram todos reinóis que, fixando-se no Recife, haviam casado com naturais da terra, de outros reinóis. Um trisavô materno, porém, teria penetrado no sertão e misturado o seu sangue com uma filha do gentio do Brasil. Frei Canecanão sabia, porém, se essa trisavô seria “alguma tapuia, petiguari, tupinambá”, mas, observou, por outro lado, que: “Se foi alguma rainha Ginga, nenhum mal me faz”.

Estas informações constam da introdução que o diplomata e historiador Evaldo Cabral de Mello escreveu para "Frei Joaquim do Amor Divino Caneca", livro que faz parte da coleção "Formadores do Brasil", dirigida por Jorge Caldeira, e que tem por objetivo resgatar obras fundamentais do pensamento sobre a Nação brasileira. O volume reúne os principais escritos políticos de Frei Caneca, religioso da Ordem do Carmo, que nasceu, viveu e morreu em Pernambuco, uma figura pouco estudada na historiografia brasileira, mas que foi, além de importante revolucionário, um dos pensadores políticos mais consistentes de seu tempo.

Seus textos, singulares por sua envergadura intelectual e ideológica, testemunham a resistência que as províncias do Norte (de Pernambuco ao Ceará) articularam contra a postura despótica de dom Pedro I. Se, a princípio, Frei Canecadepositava confiança no império constitucional - o que pode ser verificado no “Sermão de aclamação de D. Pedro I” -, a partir do momento em que o imperador convoca o exército, fecha a Assembléia Constituinte e impõe o seu próprio projeto de Constituição, os ideais libertários do pensador são feridos e ele passa a exercer, sobretudo através de sua pena, todo o seu poder combativo.

As “Cartas de Pítia a Damão”, de 1823, e os textos de Typhis Pernambucano, periódico editado por Caneca de dezembro de 1823 a agosto de 1824, são o melhor exemplo desse espírito revolucionário e trazem ainda uma visão alternativa para a viabilização do Brasil enquanto nação independente e descentralizada. “É possível que brasileiros, que homens reputados por patriotas, e que se mostravam tão interessados pelo bem de seu país, sejam agora os primeiros verdugos de seus compatriotas, os opressores de sua mesma nação, os tiranos de sua pátria?”, escrevia, decepcionado, no começo de 1824, ao comentar sobre os projetos despóticos do ministério do Rio de Janeiro.

A erudição que Frei Canecamostra em seus escritos é surpreendente, sobretudo porque ele só deixou Pernambuco para cumprir um período no cárcere na Bahia e para ocupar a cadeira de Geometria na comarca de Alagoas. Seu interesse universal foi cultivado na biblioteca da Ordem do Carmo e na dos oratorianos do Recife. Ordenou-se com apenas 22 anos e sua carreira eclesiástica prometia ser bem sucedida. Mas parece que a vida do claustro nunca o atraiu. Há, inclusive, cartas que escreveu a várias “afilhadas”, eufemismo com que os integrantes do clero costumavam disfarçar os rebentos de suas relações ilícitas.

A entrada de Frei Canecana cena política, porém, deu-se quando da solenidade pública da bênção da bandeira da República de 1817. Nessa época, saiu em defesa de um confrade denunciado como anti-revolucionário. A revolução separatista de 1817, diga-se, era contra o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, proclamado em 1815, então a única construção estatal existente no Império lusitano. Sua atuação, segundo a acusação, teria sido como capitão de guerrilhas, o que lhe valeu quase quatro anos de prisão em Salvador.

Em “A constituição do Império português. Revisão de alguns enviesamentos correntes”, António Manuel Hespanha, da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, contesta a tradicional imagem de um Império centrado, dirigido e drenado unilateralmente pela metrópole. Lembra, por exemplo, que desde o início do século XVIII, a propriedade - ou, pelo menos, as serventias - de todos os ofícios de Justiça (notários e escrivães) estava à disposição das elites econômicas das colônias, nomeadamente no Brasil, ressaltando que a importância desse fato não pode ser desconhecida ou subestimada. Ou seja, cartas régias, concessões de sesmarias, vendas e partilhas de propriedades, requerimentos de graças régias, tudo passava pelas mãos das elites coloniais

Ao retornar a Pernambuco em 1821, passou a opor-se contra o grupo de áulicos defensores do absolutismo com dom Pedro, participando dos movimentos sociais deflagrados a partir da notícia da Revolução do Porto em 1820. Irritou-se quando dom Pedro, na fala do trono à Constituinte, depois da separação, prometeu defender a pátria e a Constituição, caso esta seja “digna do Brasil e de mim”.

Para Caneca, o chefe da nação não podia ter “outra dignidade” que não fosse a da nação, de maneira que só lhe competiria submeter-se à Constituinte. “Aqui vêem todos como vão subindo gradualmente e se vão desenvolvendo os sentimentos que o astuto ministro (José Bonifácio) tem querido plantar em sua majestade imperial e constitucional contra todas as intenções puras, liberais e sinceras de seu augusto coração”, escreveu.

Em 1824, estoura a chamada Confederação do Equador, movimento que defendia a separação de Pernambuco do Império brasileiro e a adoção de um projeto republicano radical, numa época em que não havia nem a noção clara de nação. Aderindo totalmente à iniciativa, Frei Canecapassou a escrever o periódico Typhis Pernambucano, que será a sua trincheira até a liquidação da Confederação do Equador. Com mão de ferro, o imperador, que já havia mandado dissolver a Constituinte, determinou a suspensão das garantias constitucionais na província e o bloqueio do Recife por uma esquadra, que bombardeou a cidade, ao mesmo tempo em que tropas do brigadeiro Lima e Silva invadiram por terra a partir do sul.

O desfecho foi rápido. Ao todo, foram executados onze confederados, dos quais três no Rio de Janeiro. Frei Canecafoi fuzilado a 13 de janeiro de 1825 na Fortaleza das Cinco Pontas, depois que nenhum carrasco se dispôs a cumprir a sentença que previa a sua morte na forca.

Fonte: nethistoria.com

Frei CanecaEm 1982, o governo do estado de Pernambuco encarregou Cícero Dias da execução de uma pintura sobre a vida de Frei Caneca. A encomenda requer que o artista traduza em imagens a saga de um dos mais respeitados heróis pernambucanos. Cícero decidiu contá-la através de dois painéis, cada um deles contendo 12 telas. O primeiro descreve a revolução de 1817 e o segundo a revolução de 1824. Para entender os acontecimentos representados na obra é conveniente relembrar quanto o pensamento liberal europeu penetrou nessa região do Brasil colonial influenciando os líderes políticos, os intelectuais, a aristocracia açucareira, as irmandades, as ordens religiosas e a maçonaria.

Em 6 de março de 1817 o grupo liderado por Domingos José Martins, Gervásio Pires Ferreira, Antonio Gonçalvez Cruz e o padre João Ribeiro inicia uma rebelião depondo o governador português e organizando o governo provisório da República Pernambucana. As tropas luso-brasileiras enviadas da Bahia e do Rio de Janeiro cercaram a província e dominaram os revolucionários. Alguns chefes são enforcados, outros acabaram na prisão, como Frei Caneca.

Joaquim do Amor Divino Rabelo Caneca é pernambucano nascido em recife no ano de 1779. Ordenou-se sacerdote em 1801.

Caneca sendo um liberal e postulando as idéias de Rousseau coloca a soberania do povo em primeiro lugar. Premissa oposta a de José Bonifácio que considera essa soberania uma forma de despotismo. O imperador D. Pedro procura lutar contra esse despotismo ao sentir-se contrariado com a legitimação do poder popular.

Com a Convenção de Beberibe, em 1821, o governo português reconheceu a autonomia da Junta Provincial de Pernambuco. Proclamada a independência do Brasil em 1822, instalou-se em maio de 1823 a Assembléia Constituinte para votar uma Constituição para o país. Na opinião dos liberai pernambucanos, mesmo aprovado, o projeto tornou-se nulo de pleno direito, pois o grupo não representava o povo. Para Frei Canecaa independência era apenas um ato político e a convocação da Constituinte um ato jurídico. A sua dissolução deixou o país sem qualquer estrutura constitucional.

No dia de sua coroação D. Pedro I jura “defender a Constituição que estava para ser feita, se for digna do Brasil e de mim.” Em 12 de novembro de 1823 dissolveu a Assembléia Constituinte e convocou outra. O novo grupo tem de executar uma Constituição digna do Brasil e do imperador... Na opinião, de Frei Caneca“O Brasil é que eregiu o trono e nele assentou S.M. e o assentou debaixo da condição impreterível de estar pela Constituição que o Brasil lhe desse. Como então há de ter S.M. parte no poder legislativo”?

Entre 25 de novembro de 1823 e agosto de 1824 circulou o Typhis Pernambucano denunciando a crise política nacional. O periódico defendia uma idéia: com a Constituição “sábias leis fundamentais e cautelas prudentes, tiram ao imperador o meio de afrouxar a brida às suas paixões e exercitar a arbitrariedade.”

A câmara de Recife rejeitou oficialmente a Constituição do imperador. Frei Canecadefendeu províncias autônomas e legitimamente representadas no governo federal, ou seja: um regime federativo.

Em 10 de junho de 1824, o Typhis publicou um texto onde alertava a população: fica desfeito o laço de união entre as províncias, à vista disso, A Assembléia Constituinte está dissolvida. O projeto de Constituição executado pelo Ministério, apesar de jurado no Rio de Janeiro, Bahia e algumas localidades sulinas, envolve perjúrio.

Para Caneca, o homem do sertão não desconhece seus direitos, seus deveres, suas liberdades e a “origem do poder dos que governam.” Ele é o primeiro a delatar a poder moderado como disfarce do imperador para recuperar sua posição de titular de um estado patrimonial. Em suas idéias insinuou o direito à revolução. O frade carmelita e os outros chefes do movimento organizaram a Divisão Constitucional da Confederação do Equador.

O governador Manuel de Carvalho abandonou o cargo, refugiando-se em um navio inglês. As tropas de Lima e Silva tomaram a cidade. Entre novembro de 1824 e janeiro de 1825 a Comissão Militar agindo rapidamente, procedeu as prisões e os julgamentos dos confederados. As execuções começaram com a de Frei Caneca, em 13 de janeiro e continuaram até meados do ano. Antes de encerrar é conveniente lembrar que o radicalismo liberal dos movimentos manteve-se, exclusivamente, nos limites da defesa do regime constitucional e da autonomia provincial. Esses acontecimentos serviram de catalizador à invenção criativa de Cícero Dias. O artista abarcou de um modo completo a essência da situação histórica de Frei Canecae confederados, julgados pelo crime de defender a liberdade e os direitos constitucionais. Mas, Cícero entendia bem disso, pois trata-se de uma doença presente no sangue dos pernambucanos, ainda hoje.

Fonte: www.cicerodias.com.br

Frei CanecaTeórico e um dos líderes da Confederação do Equador, Joaquim do Amor Divino Rabelo nasceu no Recife, a 20 de abril de 1779, filho do fabricante de vasilhas de flandre Domingos da Silva Rabelo e da doméstica Francisca Alexandrina Siqueira.

Aos 22 anos de idade ordenou-se frade carmelita, no Convento do Carmo no Recife, e ganhou o apelido de Frei Caneca.

Intelectual respeitado em Pernambuco, torna-se professor de retórica, poesia, geometria e filosofia. Participa da Revolta Pernambucana de 1817, é preso, juntamente com outros líderes do movimento, e mandado a Salvador, Bahia, só sendo libertado em 1821, quando retorna ao Recife.

A 25 de dezembro de 1823, começa a publicar o seu jornal Typhis Pernambucano, através do qual defende idéias liberais e a Constituição e ataca o poder absolutista.

Quando, em 1824, Dom Pedro I outorga a Constituição Imperial, aumenta a agitação liberal em Pernambuco e, a 02 de julho, os revolucionários proclamam a Confederação do Equador. A 29 de novembro daquele mesmo ano, a repressão imperial derrota os revolucionários que são recolhidos à cadeia, no Recife.

A 18 de dezembro de 1824, é instalada a comissão militar (presidida pelo coronel Francisco de Lima e Silva, pai de Duque de Caxias) para o julgamento de Frei Caneca, que é condenado à forca.

A 13 de janeiro de 1825, é preparado o cenário para o enforcamento, no Forte das Cinco Pontas, no Recife, mas três carrascos não têm coragem de enforcá-lo. Frei Caneca, então, é fuzilado, naquele mesmo dia e local, por um pelotão comandado pelo coronel Francisco de Lima e Silva

Fonte: www.pe-az.com.br

Frei CanecaFrei Canecae O Tifis Pernambucano

Frei Caneca, um dos maiores idealizadores da Confederação do Equador

Em sintonia com a mesma pregação do político e jornalista Cipriano Barata estava o frei carmelita Joaquim do Amor Divino Rabelo. De origem humilde - conhecido como Frei Canecapor ter sido vendedor de canecas quando garoto em Recife -, foi educado no Seminário de Olinda onde absorveu os ideais liberais.

Erudito, distinguia-se na luta pelas idéias em que acreditava e pela vastidão dos seus conhecimentos, o que resultava em críticas profundas à Carta outorgada de 1824. Em alguns momentos tomava atitudes interessantes como, por exemplo, quando esteve detido em prisões na Bahia, usando o seu tempo a ensinar Matemática aos outros prisioneiros, chamados por ele "seus companheiros de desdita".

Dirigindo o jornal O Tifis Pernambucano Frei Canecafazia sua pregação republicana, denunciando o autoritarismo imperial e conclamando a população à luta.

Em seu primeiro número, lançado a 25 de dezembro de 1823, o Tifis anunciava que o país parecia (...) "uma nau destroçada pela fúria oceânica, ameaçando soçobro, carecendo da ajuda decidida e abnegada de todos os seus filhos."

Nas páginas de seu jornal Frei Caneca, que tivera participação ativa na Revolução Pernambuca de 1817 e que, segundo o Conde dos Arcos, fora um dos que havia transformado Pernambuco num "covil de monstros infiéis" considerava a Constituição outorgada (...) "iliberal e contrária à liberdade, à Independência e direitos do Brasil." Entendia ser o Poder Moderador "a chave mestra da opressão da nação brasileira."

Suas claras posições políticas também chamaram a atenção de Maria Graham que, passando por Recife e observando o espírito de rebeldia que contagiava os pernambucanos, comentou sobre "um padre" lá existente, Frei Caneca, nele identificando, como todo pernambucano, um sentido de independência.

Fonte: www.multirio.rj.gov.br

Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/frei-caneca/frei-caneca.php#ixzz1yp2vyDes apud http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/frei-caneca/frei-caneca.php

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Frei Caneca's Timeline

1779
August 20, 1779
Recife, Pernambuco, Brazil
1825
January 13, 1825
Age 45
Recife, Pernambuco, Brazil
2010
January 29, 2010
Age 45
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