Gilson Amado (c.1908 - 1979)

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Birthdate:
Birthplace: Itaporanga, Paraíba, Brazil
Death: Died in Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil
Managed by: Marcella Alvarenga
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About Gilson Amado

Gilson Amado nasceu em Itaporanga d´Ajuda, Sergipe, em 1908. Com menos de dois anos mudou-se junto com a família para Aracaju, onde começou sua educação formal no Colégio Salesiano Maria Auxiliadora e, posteriormente, em 1913 segui com ela para Bahia. No novo estado continuou seus estudos no Colégio Antônio Vieira. Mais tarde, seguindo os passos de Gilberto e Genolino ingressou na Faculdade de Direito do Catete, na cidade do Rio de Janeiro, onde constituiu família.

Seu início de carreira deu-se no Ministério Público do Distrito Federal, na época a cidade do Rio de Janeiro, na Curadoria de Menores. Além disso, atuou ainda no gabinete do Ministro da Educação Gustavo Capanema. Gilson, a exemplo de outros irmãos, destacou-se ainda no campo da comunicação tendo atuado tanto em emissoras de rádio quanto de televisão, apresentando e coordenado mesas-redondas e debates sobre assuntos de interesse público. É justamente da fusão entre a vivência nos veículos de comunicação e seus ideais sociais, que Gilson entra para a história da educação brasileira como idealizador e fundador da TV Educativa no país, a qual, segundo ele, constituiu-se o “educandário da multidão brasileira”.

Um dos primeiros passos dados nessa direção foi dado em 1962, quando conquistou o horário das 22h30, no canal 9 do Rio de Janeiro, para apresentar suas mesasredondas.

Foi justamente nesse espaço que Gilson lançou a idéia da Universidade de Cultura Popular, “uma universidade sem paredes, capaz de atender aos milhões de brasileiros maiores de 16 anos que perderam, na época própria, a oportunidade de acesso à escola” (NETO, 2002, p. 421). Através de convênio com a Secretaria de Educação do Estado da Guanabara, Gilson conseguiu que o projeto da Universidade de Cultura Popular produzisse programas educativos e de cultura geral, a exemplo do “Admissão ao Ginásio” e “Educação Familiar”.

Levando ainda mais além o intuito de utilizar as potencialidades da televisão para o propósito educativo, em 1967, Gilson Amado fundou a Fundação Centro Brasileira de TV Educativa (FCBTVE), que embora tenha um período pré-histórico que remete aos idos de 1952 e as figuras de Roquete Pinto e Tude de Souza não pôde, por motivos políticos, ser concretizada. Gilson Amado, entretanto, com experiência na área, uma vez que já havia trabalhado na programação educativa do rádio e da TV Continental, bem como da TV Tupiiii, levou a idéia adiante e deu inicio aos trabalhos de educar a distância via televisão. A ideia de Gilson era alfabetizar o maior número de pessoas do país.

Vale ressaltar que a essa época o Brasil estava vivendo sob o regime militar e no mesmo ano de 1967 foi eleito indiretamente para assumir a presidência da República no lugar de Castelo Branco o general Arthur da Costa e Silva. Nesse ano também uma nova constituição foi promulgada, o índice de analfabetismo chegou a 32,05% e foi criado, através da Lei 5.370, o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral) que sofreu várias críticas, pois fora instituído como extensão das campanhas de alfabetização de adultos iniciada por Lourenço Filho, mas alguns educadores o consideravam apenas um espaço criado para ensinar a ler, escrever e contar sem, necessariamente, formar o indivíduo e prepará-lo para a vida.

Foi nesse mesmo contexto que Gilson Amado conseguiu fundar a FCBTVE. Embora constituída legalmente e com a concessão de se estabelecer como rádio e televisão através da Portaria Interministerial n° 408 em 1970 e do decreto federal n° 72637, em 1973, a TVE do Brasil iniciou seus trabalhos funcionando em circuito fechado em um pequeno apartamento, de propriedade de Gilson, no décimo andar de um edifício comercial na Av. Nossa Senhora de Copacabana na cidade do Rio de Janeiro, onde ele e mais sete colaboradores desenvolviam suas atividades. Sobre os primeiros programas veiculados, ressalta Franci Silveira Borges, exsecretaria de Gilson Amado.

Nem bem surgiu, em 1967, a Fundação já decolava com um projeto de Recuperação do Ensino Primário. No ano seguinte, esse projeto foi revisto e acrescido de mais um curso para professores leigos, idealizado por Manoel Jairo Bezerra. Também nesse mesmo ano, realizou-se o I Seminário Internacional de Televisão Educativa, que contou com a participação de especialistas internacionais da UNESCO e representantes brasileiros. (MILANEZ, 2007b, p. 37)

Como ainda não havia telecentro, a transmissão era feita através de cerca de 30 emissoras comerciais cuja permissão fora concedida no período diurno. Posteriormente, em 1968, a FCBTVE passa a funcionar em um conjunto de salas alugadas, também no bairro de Copacabana, época em que estendeu suas atividades para além do planejamento de produção de programas educativos. Nesse sentido, a Fundação ampliou as contribuições do I Seminário Internacional de Televisão Educativa, desenvolvendo, a partir de três cursos ministrados pela Unesco, um programa de formação de pessoal. Assim, “para servir ao escopo desse programa de formação e para servir como laboratório para a produção de programas de curta duração, instalou, na sede, um “circuito fechado”” (NETO, 2002, p. 421).

Assim a TV Educativa no Brasil iniciava sua história que seria marcada pela ousadia e determinação de Gilson durante os anos que este esteve em sua direção. Em 1972 Gilson Amado obteve, da Fundação Konrad Adenauer, da Alemanha, os primeiros equipamentos para o Telecentro próprio da FCBTVE. Montado na Av. Gomes Freire, 474, no Centro da cidade, o Telecentro que contava com a concessão do Canal 2 da antiga TV Excelsior (década de 1960) começou a funcionar no dia 26 de novembro de 1973, mas sendo sua transmissão feita pela TV Rio. Essa transmissão, contudo, fora precedida de vários cursos, seminários, treinamentos e estudos. Destaca-se que a concessão de uso do canal foi outro ponto no qual a ousadia de Gilson Amado foi fundamental, uma vez que o Governo do Rio de Janeiro também pleiteava a concessão do mesmo canal para uso como instrumento da política de educação ciência e tecnologia. Segundo Neto, 2002, Gilson usou todas as estratégias para conseguir a outorga do canal para a Fundação.

O Programa veiculado era a novela “João da Silva” uma espécie de “telenovela e curso supletivo de 1° grau, com o ator Nelson Xavier” destinado a jovens e adultos das séries iniciais. A idéia de Gilson era ser o mais didático possível e isso só aconteceria de ele conseguisse despertar a atenção e o interesse dos possíveis alunos. E que forma melhor do que a novela para isso?

Nessa “novela” noções de matemática eram tratadas como sendo usuais e como parte do cotidiano dos personagens que representavam os vários tipos sociais que compunham a sociedade.

Você viu na TV o Sr. Edson dizer que ele precisava construir uma caixa d’água, na forma de um paralelepípedo de 4 m por 3 m, por 2 m, isto é, 4 m de comprimento, 3 m de largura e 2 m de altura. O Sr. Edson mostrou primeiro que na parte inferior ou na base do paralelepípedo poderia construir 4 X 3 quadrados de 1 m de lado. E, a seguir, mostrou que sobre cada um desses quadrados poderia construir tantos cubos de 1 m de aresta quantos fossem os metros de aresta (2 nesse caso). Então, poderia construir 4 X 3 X 2 cubos de 1 m de aresta (...) e o volume da caixa d’água seria 24 m³ ou 24.000 l. O volume de uma caixa d’água que tenha a forma de um paralelepípedo é obtido calculando o produto dos números que indicam as medidas do comprimento, da largura e da altura do paralelepípedo, e acrescentando a unidade de volume – m³ ou dm³ ou cm³ - conforme a unidade de comprimento – m ou dm ou cm – das dimensões do paralelepípedo (KURY, 1973, apud MACIEL, S/D, p. 6).

O Projeto “João da Silva” foi um marco para a teleducação brasileira e, conseqüentemente, para o ensino da matemática. A tentativa pioneira de educar uma grande massa de cidadãos excluídos do ensino formal, a utilização de uma tecnologia, a serviço da educação, em um formato de dramaturgia, e o prêmio inédito concedido pela televisão Japonesa, fez deste curso supletivo um paradigma para a época. (MACIEL, S/D, p. 6)

Noções da língua portuguesa também eram explicadas, de modo que o aluno que assistisse as aulas em casa ou através dos telepostosiv, tirasse suas dúvidas com os monitores e atentasse para o fato de que cada tópico abordado apresentava explicações, exercícios prontos e exercícios a serem resolvidos, além de algumas curiosidades, estando assim apto a responder as provas que vinham anexadas aos cinco volumes de autoria do professor Manoel Jairo Bezerra e que uma vez respondidas deveriam ser encaminhadas a sede da FCBTVE para correção. Vale ressaltar que a Professora Alfredina de Paiva e Souza também contribuiu com o material didático e a programação da FCBTVE. Atentando-se para o fato de que esse sistema de avaliação priorizava o aprendizado em detrimento da forma de avaliação se explica os cerca de 11.000 alunos expectadores. Se ainda se avaliar a dimensão e a cobertura do projeto de Gilson Amado perceberemos o seu potencial engajador para além do criador.

Em 1975 a TVE fez uso de seu próprio canal, embora somente em 1977 a emissora fosse utilizada em caráter definitivo e com programação diária de 6 horas. Nesse espaço de tempo entre a criação em 1967 e a sua independência física em 1977 muitos foram os programas veiculados pela FCBTVE tendo a voz de Dulce Monteiro como apresentadora.

Além do projeto de “Recuperação do Ensino Primário”, do “curso para professores leigos”, idealizado por Manoel Jairo Bezerra e da telenovela “João da Silva”, destacaram-se os programas: "É Preciso Cantar" e "Pequena Antologia da MPB", apresentado por Grande Otelo com o objetivo de preservar a memória nacional; Pluft, o Fantasminha" (1975) e "Sítio do Pica-Pau Amarelo" (1977) espécies de teletramaturgia infantil que foram financiados pela TV Globo e produzidos pela TVE, e a série "Patati-Patatá", premiada no Japão como melhor programa de conteúdo pedagógico do mundo em 1981.

Ressaltaram-se ainda “Vamos gostar de matemática”, “As aventuras do Tio Maneco”, “Plim-Plim o Mágico do Papel”; “Janela da Fantasia”, “A Turma do Lambe-Lambe”; “Canta Conto”, “e “I Love You” onde se ensinava inglês através de músicas. Some-se a esse o programa “Sem Censura” um programa de entrevistas e debates iniciado por Lucia Leme e que perdura até hoje a cargo da jornalista Leda Nagle.

Em 1979, as emissoras do Norte e Nordeste reuniram-se com o Prontel e a FCBTVE, e deste encontro resultou a redefinição dos termos de colaboração mútua e detalhado o papel da Fundação que atuaria como responsável pela Coordenação Operacional do Sistema, promovendo a geração da programação aprovada pelo Colegiado de Coordenação-Geral. Este por sua vez era composto por representantes de todas as entidades oficiais e da Secretaria de Ampliações Tecnológicas do MEC. Assim, 1979 abriga dois acontecimentos marcantes para a história da Educação à Distância no Brasil: A TVE passa a coordenar uma rede de emissoras educativas denominada Sistema Nacional de Televisão Educativa (Sinted) contando, como afiliadas com a Televisão Educativa do Amazonas, a Televisão Educativa do Ceará, a Televisão Educativa do Maranhão, a Televisão Educativa do Espírito Santo, a Televisão Educativa do Rio Grande do Sul, a Televisão Universitária de Pernambuco, a Televisão Universitária de Natal, a Televisão Nacional de Brasília, a Televisão Rondônia, a Televisão Acre, a Televisão Roraima, a Televisão Amapá e a Televisão Amazonas, além de distribuir programas educativos para mais 56 emissoras brasileiras, como a TV Globo (MACIEL, 2009); e nesse mesmo ano morre Gilson Amado.

A partir de então uma série de mudanças administrativas ecoam no desempenho da modalidade educacional. Em 1998 a TVE Brasil deixou de ser administrada por uma fundação e passou para a condição de Organização Social com o nome de Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto. Embora esse novo formato facilitasse a contratação de pessoal, visto não precisar de concurso público e de se isentar de licitações na compra de materiais, no ano de 2007 a TVE deixa de existir ficando em seu lugar a TV Brasil, administrada pela recém-criada Empresa Brasil de Comunicação - EBC.

Nesse ínterim algumas iniciativas devem ser destacas. Dentre elas o nome da FCBTVE que passou a chamar-se, em 1981, FCBTVE Gilson Amado. Nesse mesmo ano a Fundação passou a englobar 4 centros de comunicação: TV, Rádio, Informática e Multimeios no que se constituiu a Funtevê; foi criado o programa "Intervalo", em 1988, que reapresentava antigos comerciais de TV e foi implantado o programa "Um Salto para o Futuro", na década de 1990, que divulgou programas de educação à distância, visando a capacitação de professores do ensino básico.

Dos fatos que sucedem a TVE Brasil, talvez o mais importante seja a criação, em 1996, da TV Escola. Esta como programa da Secretaria de Educação a Distância, do Ministério da Educação, e com objetivo, ao contrário do que propunha Gilson Amado, de direcionar a capacitação e valorização de professores de Ensino Fundamental e Ensino Médio da rede pública, transmitindo quatro horas diárias de programação o que inclui material (cadernos, vídeo, guia e pesquisas) para planejamento pedagógico e uso dos programas em sala de aula. Embora a proposta educativa estivesse presente, o público era outro.

Por fim, em 1998, a fundação tornou-se Associação de Comunicação Educativa Roquette-Pinto (ACERP), passando a captar patrocínio para financiar parte de sua programação. O que lhe retira o caráter público, ficando a mercê de patrocinadores.

De certo os programas educativos em sua origem e com métodos próprios fizeram da TV Educativa um educandário, uma escola, uma universidade popular precursora do que hoje é a Educação a Distância no Brasil. Esta com métodos próprios, ferramentas diversificadas, ambientes virtuais de aprendizagem, teleaulas, fóruns, podcasts, livros didáticos com uma linguagem compreensível e principalmente acessível a uma multidão brasileira a margem do sistema educacional tradicional. Por certo, essa modalidade deve aos intelectuais Roquette Pinto, Tude de Souza, Albertina Paiva, Manoel Jairo Bezerra e principalmente ao itaporanguense Gilson Amado sua história bem sucedida.

A história de uma instituição educativa inicia-se pela reinterpretaçãodos historiais anteriores, das memórias e do arquivo, como fundamento de uma identidade histórica. Esta identidade implica ainda, para alem da internalidade, a inscrição num quadro sociocultural e educacional mais amplo, constituído pela rede de instituições congêneres e pelo sistema educativo. (MAGALHAES, 2004, p. 147).

Se atentarmos para a trajetória da instituição educativa TVE perceberemos o quão atrelada ela foi ao itinerário de seu criador, o professor Gilson Amado. Ao reinterpretar as histórias e memórias e perceber os acertos e mesmo as falhas deixadas ao longo do seu processo de implementação, culminando em seu encerramento e na sua substituição, perceberemos, também que ela consta no quadro das instituições educativas bem sucedidas da nação. Mérito dos atores sociais envolvidos e do seu intelectual criador, cujo falecimento, em 24 de novembro de 1979, foi noticiado pela TVE do Rio, em uma entrada ao vivo que durou pouco mais de um minuto. Esta foi seguida pela apresentação do programa “Lições de Vidas”, cujo final da transmissão foi seguido de silêncio, durante o qual a imagem de Gilson foi mostrada. A TV Educativa estava de luto pela perda de seu presidente. Ficava claro assim o legado deixado por Gilson, que até sua morte dedicou sua vida e carreira à TVE do Brasil.

Fonte: (http://www.educonufs.com.br/vcoloquio/cdcoloquio/cdroom/eixo%204/PDF/Microsoft%20Word%20-%20GILDaSIO%20E%20GILSON%20AMADO%20E%20SUAS%20CONTRIBUIcoES%20PARA%20A.pdf)

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Gilson Amado's Timeline

1908
1908
Itaporanga, Paraíba, Brazil
1979
November 24, 1979
Age 71
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil
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