João Martins Pinheiro, Barão de Lagoa Dourada (1801 - 1876)

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Birthplace: Rio, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil
Death: Died in Paraíba do Sul, Paraíba do Sul, Rio de Janeiro, Brazil
Managed by: Nivea Nunes Dias
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About João Martins Pinheiro, Barão de Lagoa Dourada

BARÃO DA LAGOA DOURADA José Martins Pinheiro (Barão da Lagoa Dourada), natural do Estado do Rio de Janeiro. Seus pais: José Martins Pinheiro e Maria José do Sacramento. Quando pensou em formar as estruturas de um lar, foi escolher para sua esposa, a senhorinha Maria Gregória Miranda, filha do Sargento-Mór Gregório Francisco de Miranda e D. Mariana Francisca de Assunção. D. Mariana era irmã do Barão de Abadia e viúva; havia se casado em primeiras núpcias com o cidadão Antonio Sarmento de Figueiredo. O Barão da Lagoa Dourada foi um dos homens mais progressistas de sua época. As suas decisões e pareceres, como Juiz de Paz e vereador, eram sempre acatadas e bem recebidas por parte dos interessados. Como líder que era, estava sempre à frente dos grandes movimentos ocorridos em Campos dos Goytacazes. Por isso mesmo, no dizer clássico dos escritores, o seu nome está esculpido nas páginas de nossa História. Martins Pinheiro foi grande proprietário. Consta, por exemplo; que pela Resolução nº 290 de 16 de agosto de 1834, da Assembléia Geral Legislativa, aqui instalada sob os auspícios do Visconde de Asseca, foi facultada a venda do seu ‘morgado’ (bens vinculados e inalienáveis) em Campos dos Goytacazes. Tais propriedades fora instituída pelo General Salvador Correa de Sá e Benevides, isto em 26 de maio de 1667, sendo que o mesmo media cerca de cinco léguas de terras em lugares diferentes e nele fez instalar nada menos de 50 currais, onde foram colocadas cerca de 8 mil cabeças de gado de boa raça com a finalidade de ampliar sempre o seu criador. As propriedades, que pertenceram aos Assecas e que, finalmente, foram liberadas para venda, foi, sucessivamente, passando a seus herdeiros, os quais, pelo uso que fizeram das terras e pela maneira com que trataram as pessoas incumbidas do seu cultivo, não deixaram recordações agradáveis. Para se ter uma idéia da má fama da dinastia dos Assecas, basta lembrar que a sua ação nefasta deu motivo à bravura de Benta Pereira e seus filhos, igualmente heróis. Em 1848, um século depois dos feitos de nossa heroína campista, José Martins Pinheiro, associando-se a Gregório Francisco de Miranda (Barão de Abadia) e os genros da finada Benta Pereira, Dr. Joaquim Manhães Barreto e Domingos Pereira Pinto, comprou as citadas propriedades. Tal aquisição, entretanto, custou aborrecimentos em forma de protestos dos herdeiros dos Sete Capitães (que ficaram conhecidos como os Heréos). Não obstante os aborrecimentos que teve com os descendentes dos exploradores pioneiros dos nossos campos, Martins Pinheiro tornou-se um dos mais ricos fazendeiros do município de Campos dos Goytacazes. Em 1847, quando o Imperador D. Pedro II veio pela primeira vez em visita a Campos, a Câmara que representava totalmente o Governo Municipal, em solenidade especial realizada à entrada da cidade, justamente nas imediações da Usina do Queimado, lhe fez, simbolicamente a entrega da “Chave da Cidade” (uma chave de ouro) que permanece depositada nos cofres da Prefeitura (pelo menos, permaneceu durante muitos anos). Tal chave, valiosa pelo seu conteúdo e pelo seu alto significado, foi oferecida por José Martins Pinheiro. Desejando possuir residência em que, como o Barão de Carapebus, o Barão de Araruama, ou José de Saldanha da Gama, pudesse hospedar figuras ilustres das classes governamentais do país, o Barão da Lagoa Dourada resolveu construir um palacete nesta cidade. E deu início à obra sob a responsabilidade dos melhores profissionais. Em 1864, achando-se quase terminado o seu belo palácio (que mais tarde virou o nosso Liceu de Humanidades de Campos), foi feito uma espécie de teste com a iluminação, ato que causou grande admiração por parte dos assistentes convidados pelo ilustre homem público. Lógico que não estamos falando de energia elétrica, pois a mesma ainda era desconhecida no Brasil e só foi inaugurada em 24 de junho de 1883. O palacete de Martins Pinheiro ia ser iluminado sob a forma mais sofisticada daquela época, a gás. Esse gás era produzido por um aparelho com óleo ou corpo gasoso e podia fornecer nada menos de 200 luminárias. Foi nesta época que foi aceso pela primeira vez o maravilhoso e rico lustre, que iluminava, de maneira explêndida, todo o palacete. Este lustre, mais tarde, foi levado para Petrópolis, com o fim de ornar o Palácio Imperial, quando esta cidade foi elevada à Capital do Estado. O Barão da Lagoa Dourada era uma pessoa dinâmica incomum. Voltado para o civismo nacional, por ocasião da Guerra do Paraguai se entregou a uma grande campanha. Como resultado, conseguiu, em virtude do seu prestígio pessoal, não somente muitos voluntários para a grande luta, como fez, na ocasião, vultoso donativo. Em conseqüência desse seu gesto extraordinário, a 09 de janeiro de 1867, foi homenageado por parte do Império com o honroso título de “Barão da Lagoa Dourada”. Na inauguração de seu palacete, teve apresentação de bandas de música e discursos de exaltação do Dr. Francisco Portela e do Padre Colares. Em 28 de janeiro de 1875, fez sociedade com João Luiz Pino e com Eduardo Guimarães, montando um contrato com a Câmara Municipal para a construção de uma Empresa Ferroviária, movida por tração animal, com o fim de transportar passageiros e cargas, num período de 25 anos, com a obrigação de entregar à Santa Casa de Misericórdia, todos os anos, a quantia de 2 contos de réis que deveriam ser convertidos em Apólices Provinciais, em favor do seu patrimônio. Por intermédio de um anúncio no jornal Monitor Campista, em 13 de janeiro de 1875, alegava Martins Pinheiro, contar com 74 anos de idade e não estar em condições de dar assistência às suas fazendas e que por esta razão resolvera vender todos os seus bens de raiz, mais escravos e, inclusive, casas e terrenos espalhados pela cidade. No rol desses bens estava uma fazenda à margem do Rio Muriaé, medindo 918 braças de testada e meia légua de fundos e mais 243 braças de testada por 1.000 de fundos. Vendia, por outro lado: um sítio em frente à fazenda com 500 braças de testada e 3 léguas de fundos, e unidas a este, mais 230 braças de testada por 2.250 de fundo; a Fazenda dos Coqueiros ou da Boa Vista em Santo Amaro com meia légua de testada e 1.640 de fundos, ambas movidas por máquinas a vapor; outra em São Fidélis, no Morro do Gambá, que fazia fundos com a Serrinha Peito de Moça; outra fazenda no Imbiriry, com excelentes matas, na Serra do Rio Preto, freguesia de São Benedito, e no mesmo local, as fazendas de Santo Antonio e a Santa Ana, todas elas, com grande número de escravos. Constou do seu testamento, o seu palácio (prédio do Liceu) para Crisanto Leite Pereira de Sá e a sua mulher, D. Mariana, Miranda Sá, sua sobrinha, em usufruto e se por acaso a Cidade de Campos dos Goytacazes fosse a Capital da Província, seria convertido o prédio em próprio nacional, para ser o Palácio da Presidência. José Martins Pinheiro (Barão da Lagoa Dourada) teve um fim trágico: suicidou-se, atirando-se da ponte sobre o Rio Paraíba (hoje Ponte Barcelos Martins), no dia 29 de julho de 1876. Assim descreveu o fato o historiador Alberto Lamego: “Tirou o chapéu, onde colocou dois cartões de visita, depois o sobretudo e do meio da ponte, precipitou-se ao rio. O Comendador José Cardoso Moreira que morava perto, procurou socorrê-lo por uma canoa que se achava nas proximidades, mas sem resultado. Depois de retirado do rio pelos canoeiros, o corpo de Martins Pinheiro foi recolhido à casa de Luiz Antonio Tavares, onde compareceram o Dr. Lourenço Batista (Barão de Miracema) e outros médicos, que não conseguiram reanimá-lo. Entre as cartas que deixou se achava a dirigida ao seu amigo Alferes Antonio Lopes Rangel, cujo texto é o seguinte: “Meu prezado amigo e compadre. Não me é possível continuar no flagelo em que vivo, por isso, me decidi acabar com a vida, lançando-me da ponte ao rio, idéia que há muito me martiriza a imaginação. Pretendo amanhã, ao romper do dia, executá-la, não tendo feito hoje, como queria e mesmo escrevi, porque não concluí o que tinha que fazer a tempo. Pela minha credulidade e compadecimento para com outros, há pouco mais de um ano, me onerei de compromissos além dos que já tinha, que reconheço não ser possível cumpri-los pontualmente. Sem esperanças de melhoramento pela rebeldia com que os escravos se negam ao serviço e por isso, a necessidade que há de liquidar a minha casa, e desfazer o quanto antes de semelhante flagelo de escravos, para o que será melhor não existindo eu, do que a continuar assim, meus credores serão prejudicados, pois que os rendimentos das fazendas pouco excedem às despesas do seu custeio, pouco restando para amortização de juros e capital. Por tudo isso, estou firme em acabar assim, embora por esse meio reprovado, mas que melhor efeito produzirá. Deixo sobre a mesa, no lugar em que escrevo, um maço de cartas com direção a V. Mcê., para assim que tiver notícia do meu infeliz e desgraçado acabamento, abrir e mandar logo levar ao Sr. Crysanto, para que ele venha tomar conta da casa e enviar a outra ao Sr. Gracie, para o Rio de Janeiro, pelo vapor “Macahé”, outra é mesmo para V. Mcê., que eu lhe havia escrito do Rio e me fará o favor de executar o que nela peço. Deixo incluso 25$000 (vinte e cinco mil réis) para me fazer o obséquio de entregar 5$000 (cinco mil réis) a cada um dos seguintes: João dos Ramos, Justina, Maria da Assunção, Isidro e Claudiana, que é o donativo de um mês que vence no dia 31 do corrente, determinado por minha mulher, porque eu lhes paguei até o fim de junho próximo passado. Enfim, meu amigo, vou acabar desgraçadamente, e, bem sinto não poder realizar os meus desejos em seu favor, e mesmo agora temo que o legado que lhe deixo em testamento, se não realize; aceite, porém, em todo caso, o meu reconhecimento dos bons serviços e amizade que me tem prestado. A Deus, peço perdão do que vou praticar e que tenha misericórdia da minha alma, aos meus amigos, dirijo um saudoso abraço. Seu amigo e compadre, José Martins Pinheiro, Barão da Lagoa Dourada - em 28 de julho de 1876.” Após a sua assinatura, ainda dizia o Barão: “É quase meia-noite! Estou cansado e em horrível estado a minha imaginação, como bem compreenderá. Vou me deitar, não para dormir e sim para acomodar o corpo e melhor esperar o momento fatal. Este estado é crudelíssimo, paciência. Deus compadecerá da minha alma”. O inventariante do espólio do Barão foi o cidadão Jerônimo Joaquim de Faria, e o advogado o Dr. José Antonio de Carvalho, assistido pelo Juiz Municipal, Dr. Francisco Nunes Seabra Perestrelo. Como testamenteiros, Crisanto Leite Pereira de Sá, Pedro Gracie, Jerônimo Joaquim de Faria e mais o seu afilhado Bacharel Crisanto Leite de Miranda Sá. Em 09 de março de 1883, os bens deixados por José Martins Pinheiro, o Barão da Lagoa Dourada foram vendidos em hasta pública, os quais foram avaliados muito abaixo do preço. O seu palacete, com o célebre gasômetro e casas anexas, avaliados por 25 contos de réis; dez terrenos situados à Rua Conselheiro Tomás Coelho, por 500 mil réis, outros dez terrenos com 250 de fundos, entre as ruas Barão e Baronesa, por 600 mil réis; o sítio de São Jorge à margem do Rio Muriaé, com 500 braças de testada e três léguas de fundo com casas de moradia e de trabalhadores, por 12 contos e 200 mil réis; a Fazenda de Santo Antonio com 750 braças de testada, pela importância de 18 contos de réis, e todos os demais imóveis, nas mesmas condições.

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João Martins Pinheiro, Barão de Lagoa Dourada's Timeline

1801
November 12, 1801
Rio, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil
1876
July 29, 1876
Age 74
Paraíba do Sul, Paraíba do Sul, Rio de Janeiro, Brazil
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