Jorge de Almeida, 2º conde de Arganil, 37º bispo de Coimbra

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Durante o seu pontificado, de mais de 60 anos - foi eleito com apenas 25 - dotou a Sé de Coimbra de grandes obras arquitectónicas, e de paramentos e objectos desagrados valiosos. Magnificente e faustoso ao gosto dos homens da Renascença, deixou fama de amigo dos pobres e de zelar pela disciplina eclesiástica. Escreveu as "Constituições do Bispado" em 1521 que representa um valioso documento para o estudo da sua época. Data do bispado: 23.06.1483-25.07.1543. Tomou posse do Bispado de Coimbra em 23.06.1483. Foi sagrado somente cinco anos depois (1488). Foi nomeado Inquisidor do Reino por Paulo III de 1536-1541. Dotou a Sé de grandes obras. Fundou a Misericórdia em 1500. 2.º Conde de Arganil. Cargos e Profissões 37.º Bispo de Coimbra.

O contexto familiar de D. Jorge de Almeida comprova toda uma miríade de influências e relações que certamente influenciaram a sua mundividência e gosto,tornando-o num incontestável“ verdadeiro príncipe do renascimento”, nas palavras de Vítor Serrão. O seu próprio percurso em Itália desde, pelo menos 1469, foi pautado de exemplos que iriam determinar a sua imagem e posição futuras, tendo privado com Lourenço de Médicis (conforme provam as 5 cartas agora publicadas) a quem escreveu ainda enquanto estudante em Pisa ou o título de Apotolice sedis prothonotharius queostentou precocemente e que seria prenunciador dos muitos outros com que viria a seragraciado ao longo da sua extensa vida conforme se confirma nas palavras de Pedro Álvares Nogueira ao discursar acerca deste “mancebo de uinte E dous annos de grandespartes de grandes esperanças q daua mostras de uir a ser hum grande prelado Como nauerdade o foi (…), Tendo estudado em Pisa e Peruggia e após uma longa permanência na Cúria Romana, este antístite, que será inquisidor-mor do reino a partir de 1536, sempre demonstrou uma extrema erudição que perpetuou na obra escrita elaborada ao longo da sua vida e de onde se destacam as “Constituyçoões do Bpado de Coimbra pollo muyto reuerendo e magnífico senhor o señor dom Jorge dalmeyda bpo de Coimbra Conde Darganil”, impressas em Braga, na Oficina de Pedro Gonçalves Alcoforado, no ano de1521. Consta terem sido as primeiras Constituições deste bispado que se publicaram, Peça fundamental no equilíbrio das forças culturais e políticas da cidade, protegia os seus homens e erigia à sua volta redes de dependência e patrocinato, vivendocomo um grande e poderoso senhor nos seus territórios

Teve igualmente um papel preponderante junto ao monarca, em diversos encargos diplomáticos e religiosos, tendo-se deslocado expressamente a Évora, em finais de 1497, para presenciar o primeiro matrimónio de D. Manuel. Do mesmo modo foi este mesmo prelado que, juntamente como rei esteve presente no ritual da abertura e segunda tumulação de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I, efectuado no mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Este bispo designadopor António de Vasconcelos como Sacerdos Magnus, terá ainda baptizado o Infante D.Henrique em 1512.Bispo residente em Coimbra - um dos raros exemplos de entre as nove dioceses portuguesas , era apreciador da prática da caça tendo mesmo alcançado de D. Manuel a instituição de uma coutada privada nas terras do senhorio do bispado, em Coja, para melhor apreciar os seus gostos cinegéticos”, e foi a figura marcante do Renascimento conimbricense, numa altura de mudanças e em que se começava a vislumbrar uma nova cultura visual

Não obstante a experiência em Itália e os ilustres contactos que manteve, sempre se apresentou enquanto sujeito de carácter singular com uma preponderante “proximidade às correntes humanistas do renascimento que a sua actuação à frente da diocese de Coimbra e a sua abertura mecenática não deixam de traduzir”

Finado em 1543, a inscrição na sua lápide que repousa ainda hoje na Sé Velha de Coimbra irá replicar a fórmula itálica do seu nome, já utilizada por Sisto IV nos idosanos da sua infância. Aquele que foi o antístite que durante mais tempo governou umadiocese em toda a história da igreja portuguesa, e que com 10 anos era já designado por “Giorgio de Almeyda clerico Egitaniensis diocesis”

“falleceo dia de San-tiago de1543. de idade de 85. annos. Manifesta-se do epitaphio de sua sepultura, que está nacapella do Sanctíssimo Sacramento da Sè da ditta cidade, que he o seguinte: Divini numinis oietate Episcopus Comes Georgius de Almeida hic situs, (…)

in, Heráldica eclesiástica -Brasões de Armas de Bispos-Condes Dissertação de Mestrado apresentada àFaculdade de Letras da Universidade de Coimbra 2010.

Dele diziam, in, Paiva, José Pedro,Os bispos de Portugal e do Império: 1495-1777“ Foi possível identificar cerca de100 pessoas, entre as quais perto de 30 capelães, para além de camareiros, cantores, cavaleiros,contadores, cozinheiros, criados, escudeiros, físico, azemel, guarda-roupa, hortelão dos paços, moços daestrebaria, moços de câmara, porteiro, secretário e vedor. Este D. Jorge de Almeida tinha exército, com oqual chegou a desafiar o prior de Santa Cruz de Coimbra e raramente conferia ordens, pregava ou crismava, tendo bispos coadjutores que por si o faziam.” p. 122. Do mesmo modo António de Vasconcelos diz: “com a numerosa comitiva de estado, constituída pelo pessoal da sua tríplice casa, eclesiástica, civil e militar, correspondente às diversas dignidades que possuía; pois, se a mão esquerda se apoiava ao báculoprelatício de Coimbra, a cabeça era-lhe cingida pela corôa margarífica de conde de Arganil, e a dextra empunhava quer a vara da jurisdição civil e criminal, quer a espada do comando militar, como senhor de Côja e alcaide-mór de Avô.” in Silva, Fernando d’Abranches Correia da, “A comenda de São Miguel de Coja…” Nº 25, p. 277.

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