Luís Álvares de Tavora, 1º marquês de Tavora

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Luís Álvares de Távora ou, em português antigo, D. Luíz Álvarez de Tavora (Lisboa, 17 de Março de 1634 - 25 de Novembro de 1672) era filho primogénito de D. António Luís de Távora, 2.º Conde de São João da Pesqueira (1620-1653) e de D. Arcângela Maria de Portugal (c.1620-?), filha do 4º Conde de Linhares.

Luís herdou em 1653, aos 19 anos, o senhorio e títulos de seu pai, vindo a ser: 3º Conde de São João da Pesqueira, 17º Senhor da Casa de Távora e 9º Senhor do Mogadouro. Foi militar afamado e homem de consequência e influência na Corte portuguesa na segunda metade de Seiscentos. Como recompensa pelos serviços prestados na Guerra da Restauração e ao então Infante Regente D. Pedro - mais tarde rei D. Pedro II -, D. Luís é elevado por carta régia de 18 de Agosto de 1669 a Marquês de Távora, título concedido de juro e herdade.

Faleceu jovem, com 38 anos, num acidente na noite de 25 de Novembro de 1672. Deixou descendência, na qual se encontram, entre outros, os Marques de Távora, os Condes de Alvor e os Condes de Vila Nova. Amigo pessoal do famoso político e escritor D.Luís de Meneses, 3.º Conde da Ericeira, este compôs-lhe postumamente um Compêndio Panegírico que deu à estampa em 1774.

D. Luís Álvares de Távora casou em 1655 com a sua prima co-irmã, por via materna, D. Maria Inácia de Meneses (c.1635-1693), filha do 1.º Conde de Sarzedas. Desta matrimónio conhecem-se 8 descendentes, dos quais 7 chegaram à maioridade:

D.Maria Josefa de Távora, Condessa dos Arcos pelo casamento com D. Marcos de Noronha, 4.º Conde dos Arcos (1650-1718).

D.Inês Catarina de Távora, Condessa de Alvor pelo casamento com o seu tio D. Francisco de Távora, 1.º Conde de Alvor. (1646-1710).

D.António Luís de Távora, 2.º Marquês de Távora (1656-1721), que sucederá a seu pai e casar-se-á com D. Leonor Teresa Rosa de Sousa, Marquesa de Távora (1652-1731), filha do 1.º Marquês de Arronches.

D. Leonor Tomásia de Távora (? - 1725), que casou em 1681 com Tristão António da Cunha, senhor do morgado de Paio Pires (1663-1693).

D. Rui Pires de Távora, canonista e letrado, abade de Castelo Branco arcediago de Neiva na Sé de Braga.

D. Bernardo de Távora, O.S.A., canonista e letrado, Doutor em Teologia e Catedrático na Universidade de Coimbra.

D. Arcângela de Távora, O.P., religiosa no mosteiro dominicano da Anunciada em Lisboa.

D. Luís de Távora (c. 1673 - ?), nasceu póstumo e morreu jovem.

Carreira Militar

Ingresso no Exército e Campanha de Olivença (1657) Luís Álvares de Távora distinguiu-se no campo militar no contexto da Guerra da Restauração. Contava apenas com 8 anos a 1 de Dezembro de 1640 quando D. João IV foi aclamado Rei de Portugal na varanda do Palácio da Ribeira por D. Antão de Almada. No entanto, a reacção militar espanhola foi retardada pela Revolta da Catalunha, procrastinando-se por uma década qualquer combate significativo. O jovem fidalgo começa a receber instrução militar desde muito cedo. Esta aprendizagem era de carácter primordial para os jovens da sua condição, com excepção dos que seguiam a vida religiosa. Revelava-se, todavia, à época, com contornos de obrigação patriótica devido à constante expectativa de uma ofensiva castelhana.

A carreira militar de D. Luís inicia-se em 1657 quando é convidado para comandar um terço no exército do Martim Afonso de Melo, 2.º Conde de São Lourenço e um dos conjurados de 1640, que acabara de ser nomeado pela Rainha Regente para Governador das Armas do Alentejo. O jovem D. Luís contava com cerca de 23 anos, mas era já senhor de sua Casa e pai de família. Combate na Campanha de Olivença de 1657 no posto de Mestre de Campo General. Finda a campanha de '57, o Conde de São Lourenço é substituído no posto de Comandante-em-chefe do exército do Alentejo por Joanne Mendes de Vasconcelos.

Campanha de Badajoz e cerco de Elvas (1658)

O jovem D. Luís, então Conde de São João, continua a servir na Campanha de Badajoz de 1658. Nesse ano, o seu irmão Miguel Carlos de Távora, que estudava para religioso em Coimbra, abandona os estudos e junta-se-lhe no Alentejo com o posto de Capitão de Infantaria. O jovem conde serve no cerco de Badajoz (Julho a Outubro) com assinalável bravura e trava amizades, pautadas pela camaradagem militar, que o vão acompanhar ao longo da vida, nomeadamente com: D. João de Mascarenhas, 2.º Conde da Torre, D. Luís de Meneses (que herdará o título de Conde da Ericeira) e Simão Correia da Silva (que será Conde da Castanheira pelo casamento); todos jovens da mesma geração.

Chegado à Estremadura espanhola o exército de socorro a Badajoz liderado pelo sexagenário Luís de Haro, 3.º Duque de Olivares - sobrinho do famigerado Conde-Duque -, retirou o exército português para Elvas. Após quase 4 meses de cerco, ficavam nos campos de Espanha 7000 portugueses mortos e nenhum resultado. Salva a praça de Badajoz, o Governador da Estremadura e Duque de San Gérman, que nela fora sitiado, junta as suas forças a Luís de Haro e partem na peugada dos portugueses com um imponente exército de 36000 homens. Vê-se desesperada a situação de Elvas, que se prepara para aguentar longo cerco enquanto pelo país fora de não poupam esforços para levantar exército que faça frente à invasão castelhana do Alentejo.

Permanece o exército que sitiava Badajoz em Elvas para a defender. O comando da Praça foi entregue a Sancho Manuel de Vilhena (futuro 1.º Conde de Vila Flor) e nela permaneceram muitos fidalgos do exército. Entre muitos outros, ficaram D. Luís de Távora e o irmão, o Conde da Torre, D. Luís de Meneses, Simão Correia da Silva e o Conde do Prado (futuro 1.º Marquês das Minas) com os seus filhos. O cerco iniciou-se a 22 de Outubro e durou vários meses e as condições dentro da Praça foram muito difíceis para os sitiados, chegando a morrer 300 pessoas por dia de peste. Não houve fome, graças à boa administração e às grandes reservas que foi possível angariar antes do cerco, mas não se conseguia fazer chegar mantimentos do exterior.

Batalha das Linhas de Elvas (1659)

A Rainha Regente encarregou o Conde de Cantanhede (futuro 1.º Marquês de Marialva) de levantar um exército para socorrer a praça de Elvas. Revelou-se tarefa difícil pois eximiam-se os Governadores das Armas das províncias a enviar auxílio por receio de invasões nas suas fronteiras. Em Setembro o exército do Minho comandado pelo Conde de Castelo Melhor foi vencido na Batalha de Vila-Nova de Carveira pelo Marquês de Viana, no que resultou a perda de Monção, Salvaterra de Miño e da fortaleza de Lapela. Houve mesmo necessidade de se fazer recrutar homens na Ilha da Madeira. O exército do Conde de Cantanhede reúne-se em Estremoz no final do ano de 1658 perfazendo um total de cerca de 10500 homens. Apesar das dificuldades, é possível a comunicação entre António Luís de Meneses e Sancho Manuel de Vilhena - comandante de Elvas -, concertando-se a estratégia para dar batalha aos castelhanos.

A Batalha das Linhas de Elvas ocorre a 14 de Janeiro de 1659 e foi um dos grandes marcos da Guerra da Restauração. Os exércitos portugueses desbaratam completamente a força espanhola numa retumbante vitória. O exército castelhano encontrava-se já reduzido a 15000 homens devido à peste e à deserção. Após a batalha, ao alcançarem Badajoz após apressada fuga, não restavam mais do que 5000 soldados do grandioso exército. D. Luís de Távora e o companheiro Conde da Torre haviam sido incumbidos na liderança de dois batalhões fora das muralhas para auxiliar o exército do Conde de Cantanhede. Contudo, tinham ordens para não se afastarem nem se embrenharem na batalha, o que prontamente ignoraram. D. Luís é descrito como um dos heróis do dia, tenho batalhado com tanta ferocidade que os inimigos o reconheciam e sabiam o seu nome. Aquando do final da batalha, recusou-se o acampamento fortificado espanhol a render-se a outro que não ao jovem Conde de São João, dizendo não poder ser desonra render-se a tal inimigo. D. Luís conta da lista dos feridos em combate; pese embora ser sem gravidade.

Anos subsequentes

Nesse mesmo ano passa à região do Minho, como General de Cavalaria, onde, nos anos consequentes, obtém diversas vitórias. Foi transferido para Trás-os-Montes onde sobe ao posto de Mestre-de-Campo General. Os seus afamados serviços de armas nas fronteiras do Norte do País levam à sua nomeação, em 1662, para Governador de Armas da província de Trás-os-Montes (contava então com 28 anos). Participou ainda na Batalha de Montes Claros em 1665. Foi ainda membro do Conselho da Guerra de D. Afonso VI. Dele escreveu o historiador António Caetano de Sousa:

Serviu na guerra com valor, reputação, e felicíssima fortuna, sendo um dos Varões sinalados do seu tempo, que em obséquio da pátria tantas vezes soube arriscar a sua pessoa para a fazer gloriosa.

Posição na Corte

Durante o reinado de D. Afonso VI, D. Luís Álvares de Távora, então figura proeminente na corte e membro do Conselho da Guerra, alinhou-se com a facção leal ao Infante D. Pedro, tendo apoiado o golpe de Palácio de 23 de Novembro de 1668. Torna-se num dos homens de confiança do Príncipe Regente e é nomeado gentil-homem de sua câmara. Segundo as fontes da época, era das pessoas que mais privavam com Sua Alteza Real, chegando-se mesmo a defini-lo com um valido. A sua alcunha na corte era o El Perfecto Caballero. O valimento junto do monarca justifica a elevação do então Conde de São João a Marquês de Távora logo em 1669. Foi ainda vereador da Câmara de Lisboa em 1671.

Precedido por D. António Luís de Távora, 2.º Conde de São João da Pesqueira

XVII Senhor da Casa de Távora 1653 — 1672 Sucedido por D. António Luís de Távora, 2.º Marquês de Távora

Precedido por D. António Luís de Távora, 2.º Conde de São João da Pesqueira

7.ºSenhor do Mogadouro 1653 — 1672 Sucedido por D. António Luís de Távora, 2.º Marquês de Távora

Precedido por D. António Luís de Távora, 2.º Conde de São João da Pesqueira

3.º Conde de São João da Pesqueira 1653 — 1672 Sucedido por D. António Luís de Távora, 2.º Marquês de Távora

Precedido por nova criação carta régia de 18-Ago-1669

1.º Marquês de Távora 1669 — 1672 Sucedido por D. António Luís de Távora, 2.º Marquês de Távora

in, https://www.wikiwand.com/pt/Lu%C3%ADs_%C3%81lvares_de_T%C3%A1vora,_1.%C2%BA_Marqu%C3%AAs_de_T%C3%A1vora ____________________________________________________________________________

TAVORA, Villa na Provincia da Beira, de que foy creado marquez Luiz Alvares de Tavora, III Conde de S. Joao de Pefqueira por carta paffada em Lisboa a 18 de Agofto de 1669, que eftá no liv. 26 da Chacellaria del Rey D. Pedro II, fol. 25. A Varonia defta Cafa he huma das mais antigas do Reyno, e tem por Solar a Villa de Tavora, a que dá nome o Rio. Luiz Alvares de Tavora, I Marquez de Tavora, III Conde de S. Joao, fervio na guerra com reputacao, valor, e fortuna no anno de 1657, foy Meftre de Campo, e fe achou no fitio de Badajoz, e batalha de S. Miguel em 1658 na das Linhas de Elvas em 1659, em que foy ferido; em 1661 paffou por General da Cavallaria do Minho, donde foy Meftre de Campo General, e ao mefmo tempo Governador das Armas de Tras os Montes, aonde ganhou muitas Pracas, paffando varias vezes ao Alentejo com o feu partido, e ultimamente concorreo muito no anno de 1665 para a vitoria de Montes Claros, Foy Gentil Homem da Camera do Principe D. Pedro, fendo Infante, e do Confelho de Guerra, e no anno de 1671 foy Vereador da Camera de Lisboa, quando o forao peffoas de igual esféra; faleceo de hum accidente na noite de 25 de Novembro de 1672, e cafou no anno de 1655 con fua prima.

Luis Alvarez de Tavora, tercer Conde de San Juan de Pefqueyra, primer Marques de Tavora, Governador de las Armas de tras los Montes &c. cafó co Doña Ignacia Maria de Menefes, hermana enterea de Don Luis de Silveyra, fegundo Conde de Sarzedas, y de Doña Arcangela, muger de Juan de Caftro, y de Doña Luifa de Portugal, muger de Fernan de Soufa Caftelo-Branco, Señor de gouvea, como fe dixo en el num 902, todos hijos de Don Rodrigo Lobo de Silveyra, primer Conde de las Sarcedas: tuvieron cinco hijos; primero Don Antonio Luis, que fuccedió en la Cafa; fegundo Rui Lorenzo de Tavora; tercera Doña Maria Jofepha, muger de Don Marcos de Noroña, quarto Conde de Arcos; quarta Doña Leonor de Tavora, muger de Triftan de Acuña y Menefes; quinta Doña N. muger de fu tio Francifco de Tavora, Conde de Alvor. Historia de la Muy Ilustre Casa de Sousa, España, 1770 Descendencia de Martin Alfonfo de Sousa en diverfas Cafas por fu hija Doña Ines de Soufa; puefta en el num. 909. Pág. 414

16º donatário de Mirandela, 1653-1672 (Ilda Amália Fernandes Branco, Tese de Doutoramento, Univ. Portucalense, 2009, p. 223).