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| Birthdate: | |
| Birthplace: | Porto, Porto, Portugal |
| Death: | Died in Sao Paulo, São Paulo, Brazil |
| Managed by: | Lúcia Pilla |
| Last Updated: | |
Ricardo Severo da Fonseca Costa nasceu em Lisboa, em 1869. Ainda criança, mudou-se com a família para a cidade do Porto, onde cresceu e formou-se Engenheiro Civil de Obras Públicas (1890), e de Minas (1891), pela Academia Politécnica do Porto. Durante o curso na universidade teve estreito contato com Rocha Peixoto, que havia sido redator da revista Portugália desde 1889, e organizador do Gabinete de Mineralogia, Geologia e Paleontologia dessa escola, em 1891, ano em que Severo completou sua formação. Essa ligação com Rocha Peixoto mostra que ambos tinham, de fato, interesses afins. Severo esteve, também, bastante ligado a Martins Sarmento, natural da cidade de Guimarães, primeiro arqueólogo e etnógrafo português reconhecido internacionalmente, muito envolvido na pesquisa sobre questões antropológicas portuguesas. Severo publicou um de seus primeiros artigos sobre o assunto na Revista de Guimarães, quando era ainda muito jovem, aos 17 anos, em coautoria com Fonseca Cardoso. De 1899 a 1908, publica a revista Portugália, que tratava de temas relacionados à antropologia, porém a publicação foi interrompida pelo seu retorno ao Brasil, onde já criara sólidos laços, desde que aqui estivera pela primeira vez, exilado, em decorrência de seu envolvimento em questões políticas, em Portugal.
Ricardo Severo foi um homem engajado em pesquisas etnográficas (Matos, 2002, p. 131) e no movimento republicano português, inserindo-se perfeitamente na geração de homens cultos de 1890 (Silva, 2005, p. 44), da qual faziam parte intelectuais, cientistas e artistas, envolvidos com a valorização do mundo português e com a definição dos principais símbolos, instituições e personagens que davam identidade a Portugal. Esse republicanismo estava, por um lado, sob a influência iluminista e, por outro, sob uma vertente romântica que justifica o interesse pelas tradições, pela etnia e pelo nacionalismo. Esse interesse pode
[...] ser identificado no trabalho de Severo ou de seus contemporâneos, fosse tratando de arqueologia, história ou arquitectura […]. Tratava-se de voltar para as origens da nação e de seu povo, para suas tradições, para a partir dela projetar um futuro radiante promissor. (Matos, p. 39, 2005)
Encontramos, em um alfarrabista do Porto[6], livros da biblioteca pessoal do engenheiro que também ajudam a compor o panorama de seus interesses. Os exemplares localizados tratam de antiguidades, culturas e povos antigos, como por exemplo: Villenoisy, F. & Blanchet, A. Guide Pratique de Lántiquaire; Lenormant, F. Histoire des Peuples Orientaux; Arbois de Jubainville, H. Celtes; Nicolay, F. Histoire des Croyances Superstitions Moeurs Usages et Cotumes.
Severo veio, pela primeira vez, ao Brasil, em 1892[7], e aí permaneceu até 1897, período em que mais se empenhou na produção escrita sobre a República, envolveu-se no setor da construção civil, e se casou (Silva, 2005, p. 55). Já outra vez no Porto, inicia, em 1899, a publicação da revista Portugália, mas em 1908 tem de voltar ao Brasil, devido a dificuldades financeiras, aí permanecendo até a data de seu falecimento, em 1940.
Assim, o engenheiro teve dois aspectos marcantes, em sua carreira. Em Portugal é reconhecido, principalmente, pela sua produção escrita sobre antropologia e arqueologia, e pela publicação da Portugália. No Brasil, principalmente pelo seu trabalho como engenheiro e difusor das ideias que fomentaram um movimento de renascimento arquitetônico, que buscava empregar as raízes da arquitetura colonial e barroca, o posteriormente chamado “movimento neocolonial”.
O movimento da casa portuguesa surgiu como um dos desdobramentos do debate sobre questões ligadas a origens, tradições, raízes culturais e nacionalismo, em Portugal, desencadeado pelo Ultimato Inglês, ocorrido em 11 de janeiro de 1890, e que foi um duro golpe no sentimento nacionalista português e no regime monárquico, acusado de ser incapaz de defender os interesses da Nação (Labourdette, 2003, p. 523). Esse fato estimulou fortemente o crescimento do movimento republicano. Nesse novo contexto de sentimentos exacerbados, a classe intelectual debatia questões relacionadas à nacionalidade e, assim, criaram-se as condições favoráveis para novas expressões nas artes, incluindo a arquitetura. A discussão sobre o que viria a ser a casa portuguesa já comparecia entre as preocupações da intelectualidade (Leal, 2000).
A primeira obra de arquitetura de Ricardo Severo foi construída em Portugal, no Porto, à rua do Conde[9], a partir de 1902. Essa é a data de registro do processo de aprovação da obra junto à Câmara Municipal do Porto. Naquele contexto de agitação em busca da arquitetura genuinamente portuguesa, em que raros exemplares da novíssima tendência haviam sido ensaiados, essa casa foi objeto de um debate fortalecido a partir do artigo de Rocha Peixoto, A casa portugueza, publicado em 1904 no jornal O Primeiro de Janeiro.
Fonte: http://www.realgabinete.com.br/revistaconvergencia/?p=187
| 1869 |
February 3, 1869
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Porto, Porto, Portugal
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| 1897 |
1897
Age 27
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| 1902 |
1902
Age 32
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| 1904 |
1904
Age 34
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| 1905 |
1905
Age 35
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| 1908 |
1908
Age 38
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| 1910 |
1910
Age 40
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| 1917 |
1917
Age 47
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| 1921 |
1921
Age 51
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| 1940 |
April 3, 1940
Age 71
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Sao Paulo, São Paulo, Brazil
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