Tomás Antonio Gonzaga (1744 - 1810)

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About Tomás Antonio Gonzaga

     14-11-2011


Tomás António Gonzaga (1744 – 1810)


Tomás António Gonzaga é um poeta de muito mérito, um pré-romântico com uma vida acidentada que se desenrolou entre Portugal, Brasil e Moçambique. A sua obra e a sua biografia estão hoje já devidamente estudadas, graças sobretudo ao Prof. Rodrigues Lapa que lhe dedicou muitos anos da sua vida, para de certo modo agradecer a hospitalidade das terras e universidades brasileiras que o acolheram no seu exílio. O estudo da sua vida foi depois completado por Adelto Gonçalves na biografia do poeta que publicou em 1999, na sequência da sua tese de doutoramento. Tomás António Gonzaga, nascido no Porto e falecido na Ilha de Moçambique, foi, no entanto, brasileiro de coração, tal como toda a sua família. Seu pai, João Bernardo Gonzaga (1710-1798) e seu avô paterno Thomé de Sotto Gonzaga (?- 1738) nasceram no Rio de Janeiro, mas vieram ambos formar-se em Direito em Coimbra. Thomé estudou nesta cidade de 1696 a 1701 e casou depois no Porto com Teresa Jason em 31 de Maio de 1702, a qual tinha uma irmã de nome Mariana que em 1692 casara com o inglês John Clark. Voltou ao Rio de Janeiro, com sua mulher, para aí prestar serviço como magistrado. Thomé teve dois filhos: João Bernardo Gonzaga, nascido em 1710 e Lourença Filipa, nascida em 1719, que veio a casar com Feliciano Gomes Neves em 1738, pouco antes da morte de seu pai. João Bernardo Gonzaga veio estudar para Portugal em 1726 e alojou-se no Porto em casa de sua tia Mariana, onde acabou por se envolver com sua prima Tomásia Isabel (nascida em 1707), que engravidou e deu à luz em 7-12-1728, uma menina, de nome Mariana. Terminou depois a formatura em Cânones em 27 de Março de 1732 e regularizaria a sua situação casando com aquela sua prima direita em 26 de Novembro de 1732. Fez a sua habilitação para a carreira judiciária e, entretanto, foram nascendo os filhos: Francisca em 1733, António em 1738, José em 1739, João em 1740, Efigénia em 1741 e o último Tomás, em 11 de Agosto de 1744. João e Efigénia nasceram em Montalegre, onde na altura era Juiz de fora. Quando Tomás nasceu, o pai já não estava em Montalegre, mas aguardava colocação no Porto. Ficou entretanto viúvo pois a esposa Tomásia Isabel faleceu repentinamente em 2 de Maio de 1745. Os seus filhos ficaram ao cuidado da avó Mariana e das tias. Em 1747, João Bernardo Gonzaga foi nomeado Juiz de fora de Tondela, lugar criado nessa altura. Para ali partiu a 5 de Agosto. A vila de Tondela começava então a ter alguma importância e era considerada desde o início do século como cabeça do concelho de Besteiros, sucedendo à vizinha povoação de Molelos. Mas, segundo diz o Abade de Vilar de Besteiros nas Memórias Paroquiais de 1732, nessa altura, a Casa das Audiências era ainda em Molelos. Ainda no ano de 1747, João Bernardo Gonzaga pediu dois meses de licença para estar com sua mãe, sua irmã, o cunhado, e duas sobrinhas, filhas destes dois últimos, que vinham destinadas ao Convento de Santa Clara, onde já se encontravam as primas Francisca e Efigénia, irmãs de Tomás. As duas irmãs viúvas, Mariana e Teresa, não se viam há 44 anos. Foi então que Tomás conheceu a avó, Teresa. A 14 de Novembro de 1750, João Bernardo Gonzaga deu a última audiência no Julgado de Tondela e voltou para o Porto, onde ficou a aguardar colocação, que chegou em 20 de Novembro de 1751, sendo despachado para o lugar de Ouvidor-geral de Pernambuco. Partiu para o Recife, levando consigo os filhos José Gomes e Tomás, então, de 12 e 7 anos. Ficou a morar em Olinda e, pouco depois, começou a viver maritalmente com D. Madalena Tomásia, mas só em 31 de Julho de 1761 é que requereria a licença régia para a desposar. Em Janeiro de 1759, João Bernardo foi transferido para a Baía como Intendente do Ouro e Presidente da Mesa de Inspecção. Levou consigo os filhos José Gomes, 19 anos e Tomás António, de 14. Este partia de Olinda com o curso de Latinidade concluído e um ano de Filosofia. É possível que, na sua adolescência brasileira, Tomás António tenha passado algum tempo no Rio de Janeiro, em casa de sua tia Lourença Filipa. Na Baía, Tomás estudou nos Capuchos e concluiu os estudos de Filosofia, Retórica e Latim, indispensáveis para entrar na Universidade. E assim embarcou com seu irmão de regresso a Portugal em 4 de Outubro de 1761. Com eles vinha um escravo chamado Tomás, que terá ficado livre nos termos da Portaria de 19 de Setembro de 1761. Com grande lirismo, descreveria mais tarde uma chegada a Lisboa, num sonho que teve:


De Mafra já descubro as grandes torres; (e que nova alegria me arrebata!) De Cascais a muleta já vem perto, já de abordar-nos trata; já o piloto esperto, inda debaixo manda soltar mezena, e gata.


Eu vou entrando na espaçosa barra, a grossa artilharia já me atroa; lá ficam Paço d’Arcos, e a Junqueira; já corre pela proa uma amarra ligeira; e a nau já fica surta diante da gram Lisboa.


Agora, agora sim, agora espero renovar da amizade antigos laços; Eu vejo ao velho pai, que lentamente arrasta a mim os passos; Ah! com vem contente! De longe mal me avista, já vem abrindo os braços.


(Marília de Dirceu, Parte III, Lira 8) Dirigiram-se para o Porto, onde a casa estava de luto pelo falecimento da irmã Francisca, de 29 anos, ocorrida a 22 de Dezembro. Dirigia a casa Mariana, a irmã mais velha, já casada com um primo, João Jason. Perde-se o rasto a Tomás pelo espaço de um ano. O irmão José Gomes enveredou pelo negócio. Tomás matriculou-se em 1 de Outubro de 1762 na Faculdade de Leis, em Coimbra. Desistiu logo a seguir, por causa de uma doença e voltou a matricular-se um ano depois. Por essa altura (Outubro de 1763), seu pai regressou a Portugal; ficou algum tempo a prestar serviço na Casa da Suplicação mas foi em seguida nomeado para a Relação do Porto. Tomás frequentou a Universidade desde 1763 a 1768. Há num documento uma declaração de José Joaquim Vieira Couto (que teve uma vida atribulada conforme processos da Inquisição de Lisboa n.ºs 13309 e 16809), referindo que Gonzaga foi iniciado na Maçonaria em Coimbra. Em Coimbra, estudavam na época várias dezenas de estudantes brasileiros (43 em 1767, segundo Adelto Gonçalves). Destaca-se entre estes um poeta, cuja vida foi emparelhada à de Gonzaga: Inácio José de Alvarenga Peixoto (1744-1793), que se formou em 3 de Fevereiro de 1767. Em 1768, deverá ter sabido da publicação, em Coimbra, da obra poética de Cláudio Manuel da Costa (1729-1789), impressa na Tipografia de Luis Secco Ferreira. Também este seria mais tarde companheiro do seu infortúnio. Poderá ter conhecido em Coimbra o Fanfarrão Minésio, Luis da Cunha Pacheco e Menezes, mais tarde governador de Mias Gerais e seu inimigo declarado, o qual, um ano mais velho, estudava Medicina? É possível que já o apreciasse nessa altura: Então o grande chefe, sem demora, decide os casos todos que lhe ocorrem ou sejam de moral, ou de direito, ou pertençam, também, à medicina, sem botar, (que ainda é mais), abaixo um livro da sua sempre virgem livraria.


(Cartas Chilenas, Carta 2.ª, v. 245-250) Maçon, ou não, o certo é que em Coimbra se dedicou ao estudo dos iluministas, Voltaire, Montesquieu, Pope, Locke e Hobbes. Os livros dos autores das “Luzes”, embora proibidos, circulavam quase livremente em Coimbra, até à morte de D. José, quando se deu a “viradeira” e a Inquisição afiou as garras. Não era muito divertida a vida em Coimbra. Gonzaga queixa-se da ganância da prostituta Olaia:


Maldita sejas, tu harpia Olaia, que, enquanto não abria a minha bolsa, não mostravas, também, alegre, os dentes!


(Cartas Chilenas, Carta 11.ª, v. 183-185) Entretanto acabou o seu tempo de Coimbra. A 17 de Maio de 1765, fizera o acto de conclusões. Em 6 de Junho de 1766, fora aprovado bacharel, a 12 de Fevereiro de 1768, doutor. Deixando Coimbra, foi visitar a família ao Porto, mas foi logo para Lisboa. Em 1769, vivia nos Anjos, na Calçada de Sant’Ana, com seu pai, ainda desembargador da Relação do Porto, mas em comissão de serviço em Lisboa. Montou banca de Advogado na Corte. Acalentou a ideia de vir a ser professor da Universidade e, para isso escreveu um Tratado de Direito Natural e apresentou-se em 1773 como candidato à cadeira de Direito Pátrio. Dedicou o livro Direito Natural acomodado ao Estado civil católico ao Marquês de Pombal. Escreveu um soneto bajulando Pombal. Não recebeu resposta da Universidade e o trabalho ficou sepultado em Coimbra até que Teófilo Braga o descobriu daí a um século. O texto só seria publicado pela primeira vez em 1942, em edição organizada por Rodrigues Lapa. Deve ter ficado desiludido com Pombal pois, quando em 6 de Junho de 1775, foi inaugurada a estátua equestre de D. José I, não escreveu nenhuma poesia louvaminhas, ao contrário de muitos outros poetas e candidatos a sê-lo. Em 24 de Fevereiro de 1777 morreu D. José e o Marquês de Pombal caiu da cadeira do poder, seguindo-se a “viradeira”. Gonzaga escreveu agora um poema a que chamou “Congratulação com o povo português na feliz aclamação da muito alta e poderosa soberana D. Maria I, nossa senhora”. Pensando na sua vida a sério, Gonzaga foi fazer a averiguação designada como “Leitura de bacharéis”, destinada a habilitá-lo como Juiz. Saiu em Novembro de 1778 e ele alcançou logo um lugar na magistratura: Juiz de fora em Beja, onde ficaria desde o primeiro dia de 1779 até ao último de 1781. No mesmo mês de Novembro de 1778, seu pai, já com 68 anos, foi finalmente promovido a Desembargador da Casa da Suplicação. Enquanto esteve em Beja, teve um filho de uma aventura amorosa, a quem aperfilhou, chamando-o Luis António Gonzaga, mas não cuidou dele. Foi criado por uma sua irmã e seria, muitos anos mais tarde, preceptor dos filhos do Conde de Lavradio. No início de 1781, escreveu dois sonetos celebrando o nascimento de Francisco Furtado de Mendonça, em 11 de Dezembro de 1780, filho de Luis Antonio Furtardo de Mendonça, visconde de Barbacena, secretário e um dos fundadores da Academia das Ciências em Lisboa. Terminado o tempo de serviço em Beja, foi nomeado Ouvidor-geral de Vila Rica (hoje, Ouro Preto) e também provedor do juízo de defuntos, ausentes, capelas e resíduos. Deve ter ido ao Porto despedir-se da família e passou algum tempo ainda em Lisboa. Não deveria ter poupanças e para as despesas da viagem e instalação, pediu um empréstimo de 1 549$600 réis a Custódio José Ferreira que pagou a prestações entre 1784 e 1785. Embarcou em 4-8-1782 no navio Diana. Não mais voltaria a Portugal. A 10 de Outubro já estava no Rio de Janeiro. Ficou um mês em casa da tia Lourença Filipa e do filho desta, o primo Feliciano José Neves Gonzaga, alferes. No final de Novembro, iniciou a viagem a cavalo para Vila Rica de Nossa Senhora do Pilar do Ouro Preto, onde chegou ao fim de 15 dias e tomou posse em 12 de Dezembro. Sete anos mais tarde faria o caminho de volta como réu de crime de lesa-majestade.


BRASIL


O lugar de Ouvidor era importante e tinha um elevado peso político, sendo a pessoa mais importante logo a seguir ao governador da Capitania de Minas Gerais, D. Rodrigo José de Menezes (1750-1807), que deixaria o cargo em Outubro de 1783. Aparentemente, Tomás Gonzaga tinha todas as condições para ser feliz em Vila Rica (que no século seguinte mudaria o nome para Ouro Preto): tinha um cargo importante bem remunerado e não lhe faltavam amigos. Entre estes, o seu colega de Coimbra, Inácio José de Alvarenga Peixoto, poeta, que abandonara a carreira da magistratura para se dedicar à gestão das propriedades da família. Casara com Bárbara Eliodora, filha de um advogado. Outro grande amigo era outro poeta e advogado, Cláudio Manuel da Costa, pertencente à geração anterior. Outro amigo fiel era Francisco Gregório Pires Monteiro Bandeira, Intendente do ouro na Junta da Real Fazenda de Minas Gerais. Para ele escreveu em 1783 um ensaio intitulado “Cartas apologéticas sobre a honestidade das usuras”; nele condenava os eclesiásticos que diziam ser usurários todos os que emprestavam dinheiro a juros. Naquela altura, os padres destacavam-se pela ganância a cobrar colectas dos paroquianos; eram célebres as “conhecenças”, documento atestando que o portador tinha feito a desobriga anual que chegou a custar 1 500 réis e cuja tarifa foi depois estabelecida pelo Bispo em 300 réis. Rapaz solteiro e prestigiado, Gonzaga não se coibia de dar a suas atenções ao género feminino da terra. Quando Maria Joaquina Anselma de Figueiredo deu à luz, disse-se à boca cheia que o pai era ele. Gonzaga terá recorrido ao Tesoureiro do Juizo dos Ausentes, Pedro Teixeira da Silva Mursa para criar o menino, que depois adoptaria o nome de António Silvério da Silva Musa. Pouco tempo depois de estar em Vila Rica, terá conhecido Maria Doroteia Joaquina de Seixas. Esta fora baptizada em 8 de Novembro de 1767 e tinha por isso uns meros 15 anos quando Gonzaga chegou a Vila Rica. Ficara órfã de mãe aos 8 anos e fora criada pelo pai, Capitão Baltazar João Mayrink. Gonzaga admirava a menina e começou a dedicar-lhe poesias, que mais tarde figurariam no seu livro Marília de Dirceu. Nem todos os poemas se referem a Maria Doroteia, há por lá várias Marílias. São poemas românticos, por vezes semeados de muito realismo. Ficariam noivos anos depois mas quis o destino que não chegassem a casar. Como vivia a população branca de Vila Rica? Proliferavam os cargos de funcionários públicos e também eram muitos os oficiais e sargentos das forças militares. Isto é, havia muita gente a viver à conta do Estado. Havia fortunas feitas de modo bastante duvidoso. Alguns capitalistas eram devedores à Fazenda de somas fabulosas porque, tendo arrematado contratos de cobranças de dinheiros públicos, não os tinham depois pago totalmente à Fazenda. Havia muita corrupção, todos queriam enriquecer rapidamente. Outro problema acumulado ao longo do tempo foi o da derrama do ouro: os quintos do Ouro rendiam em Minas Gerais cerca de cem arrobas. Mas, nos últimos decénios, a produção tinha declinado e não rendiam agora mais de cinquenta. A população ofereceu-se para cobrir a diferença, pagamento a que chamavam a “derrama do ouro”. Mas a cobrança não era feita há muito, calculando-se em 1790 que os atrasados andariam à volta de 700 arrobas, o que seria praticamente impossível de arrecadar. Gonzaga deu-se relativamente bem com o Governador D. Rodrigo José de Menezes. O mesmo não aconteceu com o sucessor deste Luís da Cunha Pacheco e Menezes, que chegou a Vila Rica no final de Agosto e tomou posse a 10 de Outubro de 1783. Os primeiros atritos começaram logo no início de 1784. A Junta da Real Fazenda ia votar a concessão do contrato do imposto das entradas. O Governador e o Ouvidor descartaram os outros candidatos e seleccionaram cada um o seu: o Governador apoiava o capitão da Cavalaria auxiliar, José Pereira Marques, o Ouvidor a António Ferreira da Silva, capitão de ordenanças. Mais tarde, o Secretário de Estado em Lisboa escreveria na Instrução para o Governador seguinte, Visconde de Barbacena: “ninguém ignorava que o dito contrato se havia de dar a um dos dois afilhados”. Logo em 8 de Abril, o Ouvidor escreveu à Rainha, queixando-se das arbitrariedades do Governador. Em 5 de Janeiro de 1785, é a vez de o Governador se dirigir à Rainha queixando-se do Ouvidor e do Intendente do ouro. Em Agosto de 1786, foi designado em Lisboa por decreto Real como novo Governador da Capitania de Minas Gerais o Visconde de Barbacena, mas só tomaria posse dois anos depois. Na mesma altura, Tomás António Gonzaga foi nomeado Desembargador da Relação da Baía. Mas continuou Ouvidor em Vila Rica à espera de substituto. Em 1787, Gonzaga dirigiu ainda à Rainha nova queixa contra Cunha Menezes, por carta datada de 21 de Março. O Governador tinha, de facto, delírios de grandeza. Gonzaga recorreu então à arma que bem sabia manejar: a escrita. Começou a escrever poemas em versos brancos decassílabos brancos, onde descrevia a vida em Vila Rica. A si mesmo intitulou-se “Critilo”, nome que foi buscar ao espanhol Baltasar Gracián y Morales (no livro El Criticón). Ali aparecem como personagens os seus amigos e inimigos, com especial destaque para o Fanfarrão Nemésio, o Capitão General. A leitura da obra será facilitada pelo elenco das figuras que ali aparecem:


Alberga – Gregório Pereira Soares de Albergaria, Juiz ordinário e Presidente da Câmara de Vila Rica Albino – José Pereira Alvim, tio de Mévio, fiador do contrato dos dízimos Alceu, Alceste - Cláudio Manuel da Costa, poeta advogado e proprietário agrícola Alcimedonte – Altimidonte – Cláudio Manuel da Costa Bispo – D. Frei Domingos da Encarnação Pontével (1721-1793), Bispo de Mariana (1780-1793) Brundúsio – Francisco Faria Brum, tenente da Cavalaria Regular Capanema – Francisco da Silva Capanema, Capitão-mor de Pitangui Cata Preta – Manuel José Fernandes de Oliveira, sargento-mor de Cata Preta, povoação próxima do arraial do Inficionado. Chefe Antigo – D. Rodrigo José António de Menezes (1750-1807), governador da capitania de Minas Gerais de 1780 a 1783. Critilo – Tomás António Gonzaga Damião – Joaquim Veloso de Miranda, Padre e naturalista (1742-1816), formado em Cânones por Coimbra, fez pesquisas em história natural por ordem do Governador José da Cunha Menezes Doroteu – Cláudio Manuel da Costa Fanfarrão Minésio – Luis da Cunha Pacheco e Menezes (1743-1819), Governador da Capitania de Minas Gerais de 1783 a 1788. Florício – Pedro Teixeira da Silva Mursa, pai adoptivo de um suposto filho bastardo de Tomás António Gonzaga que teve o nome de António Silvério da Silva Mursa Floridoro – Inácio José de Alvarenga Peixoto (1744-1792), ouvidor da Comarca do Rio das Mortes (1776-1780), latifundiário e poeta. Florinda – personagem principal de Infortúnios Trágicos da Constante Florinda, pelo padre Gaspar Pires de Rebelo Frondélio – Tomás de Aquino Belo e Freitas, médico, Chefe do Hospital Militar de Vila Rica Jelónio – Jerónimo Xavier de Sousa, cabo e alferes da Cavalaria Regular, que o Fanfarrão Nemésio fez casar com Maria Joaquina Anselmo de Figueiredo. Josefino (Carta 3.ª, v. 29): Padre José Martins Machado, padre Carlos Correia de Toledo e Melo (vigário de S. José del Rei) ou José Veríssimo da Fonseca (escrivão da Ouvidoria de Vila Rica) Josefino (Carta 8.ª, v. 77) – Padre José da Silva e Oliveira Rolim, filho do Caixa da Real Administração dos Diamantes Laura – Maria Joaquina Anselmo de Figueiredo, suposta amante de Tomás António Gonzaga Lobésio - Capitão José de Sousa Lobo e Melo, Capitão da Cavalaria regular Ludovino – Jerónimo Luis da Cunha, meirinho do Tejuco Lupésio – Manuel Lopes da Rocha, proprietário da Casa da Ópera de Vila Rica de 1783 a 1790 Macedo – João Rodrigues de Macedo, contratador de impostos e comerciante Marília – qualquer da amadas de Tomás António Gonzaga Marquésio – José Pereira Marques, contratador do imposto das entradas, comerciante e capitão da Cavalaria Auxiliar. Matúsio – José António de Matos, secretário particular do Fanfarrão Minésio, nomeado oficial maior da Secretaria de Governo da Capitania Maximino – Capitão Maximiano de Oliveira Leite, Capitão da Cavalaria regular Mévio – José António Araújo – comerciante, cobrinho de José Pereira Alvim (Albino) Nise –Maria Joaquina Anselmo de Figueiredo Padela – José de Vasconcelos Parada e Sousa, capitão da Cavalaria Regular e comandante do destacamento do Tejuco Pai Ambrósio – Ambrósio, escravo fugitivo chefe do quilombo em São Jerónimo dos Poções (1726-1746) Pé de Pato- Manuel Angola, criminoso preso em Tejuco em 1785 e transferido para Vila Rica em 1786 Ribério (Carta 7.ª, v. 282-283, 290, 305) – Diogo Pereira Ribeiro de Vasconcelos, advogado em Vila Rica e afilhado de casamento de Tomás António Gonzaga Ribério (Carta 11.ª, v. 122. 143 e Carta 12.ª v. 198, 211, 223, 228) – Manuel Ribeiro Guimarães, escrivão da Intendência do Ouro de Vila Rica, ou Teotónio Maurício de Miranda Ribeiro, capitão da Cavalaria regular. Robério - Roberto António de Lima, criado de Cunha Menezes promovido a sargento-mor do Terceiro Regimento de Cavalaria auxiliar Roquério – Capitão Roque de Sousa Magalhães, Roque Afonso Monteiro ou Manuel Teixeira de Queiroga, comerciante e contratador. Rosa, Rosinha ou Rosica – suposta amante de Matúsio Saónio – Capitão José Luis Saião, da Cavalaria regular ou seu filho José ou Luis António de Velasco Saião, capitão da Cavalaria regular Silverino – Joaquim Silvério dos Reis, contratador do imposto das entradas (1782-1784) e coronel da Cavalaria Auxiliar Simplício – António da Costa Coelho, Boticário ou António Xavier de Resende, ajudante-de-ordens. Tomasine – Tenente Tomás Joaquim de Almeda Trant, tenente e capitão da Cavalaria Regular.


Por volta de 1787, Tomás Gonzaga e Maria Doroteia terão ficado noivos. Em 1788, Gonzaga entregou ao capitão Francisco de Araújo Pereira, que partia para Lisboa, o manuscrito da 1.ª parte do volume de poemas Marília de Dirceu, com 33 liras, todas compostas em Vila Rica, para serem entregues a seu velho pai a fim de que este se encarregasse da publicação. Ao mesmo tempo, enviou o pedido de licença à Rainha para casar. O pedido poderia ser feito ao Governador, mas ele quis dar-lhe maior relevo endereçando-o à Rainha. As poesias sugerem que, pouco depois, os namorados se tornaram amantes. O poeta manifesta o seu desejo:


Um coração, que frouxo a grata posse de seu bem difere, a si, Marília, a si próprio rouba, e a si próprio fere.


Ornemos nossas testas com as flores. e façamos de feno um brando leito, prendamo-nos, Marília, em laço estreito, gozemos do prazer de sãos amores.


Parte I, Lira 14


O poeta celebra a posse da amada:


Movida, Marília, de tanta ternura, nos braços me deste da tua fé pura um doce penhor. Marília, escuta um triste Pastor.


Tu mesma disseste que tudo podia mudar de figura; mas nunca seria teu peito traidor. Marília, escuta um triste Pastor.


Tu já te mudaste; e a faia frondosa, aonde escreveste a jura horrorosa, tem todo o vigor. Marília, escuta um triste Pastor.


Parte I, Lira 4


O poeta acalma os receios da sua amada: Em torno das castas pombas, não rulam ternos pombinhos? E rulam, Marília, em vão? Não se afagam c’os biquinhos? E a provas de mais ternura não os arrasta a paixão? Todos amam: só Marília desta Lei da Natureza queria ter isenção?


Parte I, Lira 8


Em 7 de Setembro de 1788, tomou posse o substituto de Gonzaga, Pedro José de Araújo Saldanha. Mas este deixou-se ficar por Vila Rica à espera de realizar o casamento com Maria Doroteia.


INCONFIDÊNCIA MINEIRA


Os Estados Unidos da América tinham-se declarado independentes em 1776, cortando os laços com a Inglaterra. É natural que passasse pela cabeça de alguns brasileiros a ideia de fazer o mesmo em relação a Portugal. Na verdade, o Brasil era tratado como uma colónia a ser explorada pela Metrópole o mais possível. Fora a produção de açúcar e a sua comercialização na Europa, quando era bem precioso e apetecido; fora a exploração sistemática do ouro, com uma tributação elevadíssima – o quinto do ouro. Eram os fidalgos que apareciam colocados em lugar de topo e não raro eram extremamente corruptos. Um Alvará da Rainha de 5 de Outubro de 1785 (ver Bibliografia) proibiu a instalação da fábricas ou manufacturas no Brasil, que transformassem quaisquer matérias primas. Havia em Vila Rica um militar exaltado, Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), conhecido por Tiradentes, porque a sua última profissão fora a de dentista improvisado. Queixava-se ele com razão que tinha sido ultrapassado por todos os camaradas na carreira militar. Tinha, porém, ideias correctas, como a de abastecer o Rio de Janeiro com água canalizada. Foi ele o primeiro que teve a ideia de fazer uma revolução em Minas Gerais e de proclamar a independência a exemplo dos Estados Unidos da América do Norte. A ocasião seria a revolta popular que certamente haveria quando o novo Governador exigisse a derrama das diferenças para o quinto do ouro, tudo de uma vez. Falou nisso ao Dr. José Álves Maciel (1760-1804), recém-chegado da Europa que apoiou a ideia. Conseguiram até que o comandante das tropas regulares, Tenente Coronel Francisco de Paula Freire de Andrade lhes desse o seu apoio, que depois retirou. Os amigos de Gonzaga, Alvarenga Peixoto e Cláudio Manuel da Costa foram outros dos apoiantes entusiastas. Tomás António Gonzaga não foi um apoiante da sublevação. Aliás tinha Tiradentes num muito baixo conceito. Tomou conhecimento da maquinação, porque muitos dos seus amigos estavam nela metidos. Esteve até em locais onde se realizaram duas reuniões dos conjurados. Deve ter apreciado tudo com um sorriso céptico e irónico, plenamente convencido que aquilo não ia dar nada e que ele conseguiria pôr-se de fora, na altura do aperto. Mas as coisas correram-lhe mal. A 15 de Março, Joaquim Silvério dos Reis, que até mostrara simpatia pela ideia da conjura, escreveu ao Governador delatando tudo e juntando algumas mentiras, muito perigosas para Gonzaga: - Que o desembargador Tomás António Gonzaga era o primeiro cabeça da conjuração; - Que seria Gonzaga a elaborar todas as Leis da República que seria criada de Minas Gerais; - Que, feita a sublevação, matariam o Governador. Entretanto o Governador suspendeu a cobrança da derrama, desaparecendo assim o principal pretexto para a sublevação. Os acontecimentos precipitaram-se. A 20 de Abril, Gonzaga solicitou ao Governador autorização para casar a 30 de Maio de 1789, pois estava atrasada a autorização da Rainha (mas para o caso, bastava a do Governador). Mas a 9 de Maio, é preso Tiradentes. Gonzaga foi detido a 23 de Maio e levado logo para o Rio de Janeiro. Chegou à fortaleza do Rio das Cobras a 5 ou 6 de Junho e ficou a aguardar o processo da devassa. Foram presos todos os implicados. Houve traições e mais delatores, entre os quais Cláudio Manuel da Costa. Este, a 4 de Julho, suicidou-se na prisão. Estavam todos implicados, não na sublevação, que afinal não se concretizara, mas por saberem de alguns (muitos ou poucos) pormenores da sua preparação, por mais deficiente que esta tivesse sido. Gonzaga sofria na prisão; só foi ouvido pelo instrutor do processo a 17 de Novembro. Quis argumentar que era reinol e não brasileiro, mas o argumento não pegou. Apesar das frias relações, Tiradentes defendeu-o dizendo que Gonzaga não tomara parte nas reuniões da conjura. Não serviu de nada. Continuou a escrever poemas para Maria Doroteia e também a lamentar-se da sua pouca sorte:


Nesta triste masmorra, de um semi-vivo corpo sepultura, inda, Marília, adoro a tua formosura. Amor na minha ideia te retrata; busca extremoso, que eu assim resista à dor imensa, que me cerca, e mata. Parte II, Lira 19


Nesta cruel masmorra tenebrosa ainda vendo estou teus olhos belos, a testa formosa, os dentes nevados, os negros cabelos. Parte II, Lira 1

 

Não sabes quanto apresso os vagarosos dias da partida? Que a fortuna risonha, a mais formosos campos me convida? Não me unira, se os houvesse, aos vis traidores; daqui nem ouro quero; quero levar somente os meus amores.


Eu, ó cega, não tenho um grosso cabedal, dos pais herdado: não o recebi no emprego, nem tenho as instruções dum bom soldado, Far-me-iam os rebeldes o primeiro no império que se erguia à custa do seu sangue, e seu dinheiro? Parte II Lira 38


Também neste último poema, rebaixa Tiradentes:


Ama a gente assisada a honra, a vida, o cabedal tão pouco, que ponha uma acção destas nas mãos dum pobre, sem respeito e louco?


Voltou a ser inquirido a 3 de Fevereiro de 1790. Depois, esteve um ano e meio (!), sem ser interrogado. Era assistido pela família nas suas necessidades. E escrevia poemas. Para seu desgosto, Maria Doroteia rompeu o relacionamento:


Mas vejo, ó cara, as tuas letras belas, uma por uma beijo, e choro então sobre elas.


Tu me dizes que siga o meu destino; que o teu amor na ausência será leal, e fino.


De novo a carta ao coração aperto, de novo a molha o pranto, que de ternura verto.


Parte II, Lira 31


Para ela, o romance já não tinha futuro. Maria Doroteia estaria já interessada em Manuel Teixeira de Queiroga, tenente-coronel dos auxiliares, o Roquério das Cartas Chilenas. Não chegou a casar, embora dele tivesse um filho. Morreria solteira a 10 de Fevereiro de 1853, com 85 anos. Gonzaga foi chamado para novo interrogatório a 1 de Agosto de 1791, quando já tinha sido transferido da ilha das Cobras para os segredos das casas da Ordem Terceira de São Francisco.


CONDENAÇÕES


Inicialmente, onze condenados à morte: - alferes Joaquim José da Silva Xavier, único executado.


Degradados por toda a vida: - tenente coronel Francisco do Paula Freire de Andrade, para as Pedras de Ancoche. - doutor José Alves Maciel, pare Massanga – Angola - coronel doutor Inácio José de Alvarenga, para Ambaca- Angola - sargento-mor Luiz Vaz de Toledo Piza, pare Cambambe – Angola - coronel Francisco Antonio do Oliveira Lopes, para Bié - Angola - tenente coronel Domingos de Abreu Vieira, para Machembá - Angola - Salvador de Carvalho do Amaral Gurgel, para Catalá.


Por dez anos: - capitão José de Rezende Costa, pai, para Bissau - Guiné. - José de Rezende Costa, filho, para Cabo Verde. - doutor Domingos Vidal de Barboza Lage, para a ilha de S. Tiago – Cabo Verde. Todos os anteriores foram inicialmente condenados à morte, tendo sido comutada em degredo a pena de todos, menos do Tiradentes. Outros presos: - desembargador Thomaz Antonio Gonzaga, 10 anos para a praça de Moçambique - Vicente Vieira da Mota, idem para o Rio de Senna - Moçambique - coronel José Aires Gomes, 8 anos para Inhambane. - João da Costa Rodrigues, 10 anos para Mossuril. - Antonio de Oliveira Lopes, 10 anos pare Macua. - Vitoriano Gonçalves Veloso, idem para Cabaceira Grande. - Fernando José Ribeiro, idem pare Benguela - capitão João Dias da Motta, 10 anos para Cacheu. Inicialmente Gonzaga foi condenado a degredo perpétuo para as Pedras de Angoche, mas a pena foi comutada a seu pedido para dez anos para a praça de Moçambique. Nenhum dos degredados poderia voltar ao Brasil sob pena de morte. Sacerdotes implicados no processo. - conego Luiz Vieira - vigario Carlos Corréa de Toledo e Mello. - padre Manoel Rodrigues da Costa. - padre José da Silva de Oliveira Rolim. - padre José Lopes de Oliveira. Os cinco sacerdotes foram mandados para Lisboa na fragata Golfinho, e enviados para a fortaleza de S. Julião da Barra, onde ficaram presos quatro anos. Depois, foram distribuídos por vários conventos de Lisboa. Gonzaga aguardou transporte para Moçambique. Pelo colega Pires Bandeira, que ia tomar posse do lugar de Desembargador da Relação do Porto, enviou para Lisboa a segunda parte da Marília de Dirceu, com 32 liras, escritas nas masmorras do Rio de Janeiro. A conjura de Minas Gerais é muito difícil de tratar, pois, não tendo existido a sublevação, não passou de uma intentona: os participantes foram condenados apenas pelas suas intenções, certamente irrealizáveis. Entretanto, no Brasil, tanto a Inconfidência Mineira como a figura do Tiradentes estão perfeitamente mitificadas. Aliás, o dia da sua execução, 21 de Abril, é feriado nacional.


ILHA DE MOÇAMBIQUE


Tendo partido a 23 ou 25 de Maio de 1792, a fragata Nossa Senhora da Conceição e Princesa de Portugal aportou à Ilha de Moçambique no dia 31 de Julho seguinte, levando os sete degradados da Inconfidência. Gonzaga escreveu que o comandante o tratara com “humanidade e cortesia”. Foi alojado pelo Ouvidor José da Costa Dias e Barros, de 58 anos, que se encontrava extremamente doente. Começou a fazer os despachos por ele, enquanto não veio o sucessor, Francisco António Tavares de Siqueira. Dias e Barros partiu na fragata que trouxera Gonzaga a 26 de Agosto e, quatro dias depois, chegou o seu sucessor. Gonzaga ficou como auxiliar de Tavares de Siqueira, que o nomeou promotor do Juízo da Fazenda de defuntos e ausentes. Por essas alturas, escreveu Gonzaga um poema que só foi divulgado um século depois, em 1881: A Moçambique, aqui, vim deportado, descoberta a cabeça ao sol ardente; trouxe por irrisão duro castigo ante a africana, pia, boa gente. Graças, Alcino amigo, graças à nossa estrela!


Não esmolei, aqui não se mendiga; os africanos peitos caridosos antes que a mão o infeliz lhe estenda a socorrê-lo correm pressurosos. Graças, Alcino amigo, graças à nossa estrela!


Em Moçambique, eram os negreiros que faziam grandes fortunas, inclusive fugindo ao fisco no imposto cobrado na exportação dos escravos. Gonzaga não precisou de encetar tal carreira para viver bem. Par além dos cargos oficiais que teve, era um bom advogado, sem dúvida, o melhor que havia na colónia de Moçambique. Entre os seus melhores clientes, os mesmos negreiros. No final de 1792, Gonzaga adoeceu e foi hospedado por um seu subordinado, Alexandre Roberto Mascarenhas, escrivão do Juízo da provedoria da fazenda de defuntos e ausentes, mas também negreiro. Ele levou-o para sua casa e sua esposa e filha trataram-no até ao restabelecimento da sua saúde. Foi assim que conheceu Juliana de Sousa Mascarenhas, de 18 anos, cuja mão pediu. Não se preocupou muito que ela fosse analfabeta. Casaram no dia 9 de Maio de 1793 e dela teve dois filhos Ana e Alexandre Mascarenhas Gonzaga, a primeira nascida em 1794 e o segundo em 1809. Não tardaria a ser o único homem da casa, pois seu sogro faleceu ainda no ano de 1793. No início de 1794, teve o grato prazer de ler na Gazeta de Lisboa de 10 de Novembro de 1792 a notícia de que fora publicado em Lisboa, pela tipografia Nunesiana, o livro Marília de Dirceu, primeira parte das poesias líricas de T.A.G. (33 poemas). Em 1798, receberia uma notícia desagradável: no ano anterior, falecera seu velho pai, com a provecta idade de 87 anos. Em 1799 saiu em Lisboa a segunda edição da Marília de Dirceu, pela Oficina Nunesiana, contendo as partes I e II (no total de 65 liras-poemas). No final de 1800, publicou a Gazeta de Lisboa esta notícia: “Saiu à luz: Terceira parte da obra poética Marília de Dirceu, composta por T.A.G.”. Esta terceira parte era uma obra apócrifa, encomendada pelo livreiro a um qualquer versejador. No ano de 1802, deu-se um acontecimento que excitou a lira de Gonzaga: no dia 2 de Setembro, às 7,30 da noite, o navio Madre de Deus e São José, também chamado Marialva, encalhou e foi ao fundo, num baixio a 12 léguas da Ilha de Moçambique. Gonzaga escreveu o poema heróico A Conceição. O navio vinha carregado de ouro, que foi saqueado pelos tripulantes e passageiros. O desastre foi terrível: dos 368 tripulantes, passageiros e degredados, sobreviveram 136. Boa parte da carga estava perdida. O Governador, à falta de meios, mandou o escrivão-mor da alfândega (também negreiro) João da Silva Guedes fazer o salvamento dos despojos, podendo ficar com 50 %. Guedes (amigo de Gonzaga) encontrou um cofre de ouro que o deixou ainda mais rico. O poema estava referido no Jornal do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro de 1846 (pag. 308), mas só foi descoberto (incompleto) por M. Rodrigues Lapa na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro em 1968. Foi publicado por Ronald Polito em 1995. Em Lisboa sucediam-se as edições da Marília: em 1802,pela Tipografia Nunesiana, uma com a primeira parte e outra com a segunda (com mais cinco liras novas). Em 1803, outra edição pela oficina de António Rodrigues Galhardo, com a primeira parte. E em 1804 mais uma edição da segunda parte, pela Tipografia Lacerdina; seria a última que o poeta havia de ver. Em meados de 1806, Gonzaga foi nomeado pelo Governador Francisco de Paula de Amaral Cardoso, Procurador da Coroa e da Fazenda Real. A 2 de Maio de 1809 foi nomeado Juiz interino a Alfândega, cargo importante e de muito trabalho. Adoeceu em meados de Dezembro. Deverá ter falecido no final de Janeiro de 1810, já que no dia 2 de Fevereiro era nomeado António da Cruz e Almeida para o cargo de Procurador da Real Fazenda, que se achava vago por falecimento de Tomás António Gonzaga. Ao falecer, Gonzaga deixava a viúva Juliana de Sousa Mascarenhas, de 35 anos e os filhos Ana, de 15 anos e Alexandre, com menos de um ano. Juliana morreria pouco tempo depois, e os filhos seriam criados pela família de João Vicente Rodrigues de Cárdinas, oficial do exército. Alexandre faleceu solteiro sem descendência, mas Ana teve filhos de dois casamentos. Há ainda hoje em Moçambique numerosos descendentes do poeta.


A POESIA DE TOMÁS ANTÓNIO GONZAGA


Foi enorme o sucesso da poesia de Gonzaga, tanto em Portugal, como no Brasil. Entre nós, as edições de Marília de Dirceu repetiram-se com regularidade de 1792 a 2008. No final do século XVIII, a sua poesia era adjectivada como “poesia erótica”, tal era a novidade. Jaime Batalha Reis conta, referindo-se a visitas dele com Antero de Quental a João de Deus: “Se lhe falávamos d’algum escritor moderno, o João de Deus encolhia os ombros e lia-nos com entusiasmo os versos da Marília de Dirceu”. A poesia de Gonzaga mereceu grande destaque na História de Literatura Portuguesa, de Teófilo Braga e na História da Poesia Portuguesa, de João Gaspar Simões. Ambos os autores a relacionam com as modinhas brasileiras, que ele teria conhecido sobretudo na Baía: Pintam que os mares sulco da Baía, onde passei a flor da minha idade: que descubro as palmeiras, e em dois bairros partida a gram cidade. Parte II, Lira 34 De facto, ele esteve no Brasil dos 7 aos 17 anos. Mas, no final do Século XVIII, a modinha brasileira também estava muito difundida em Lisboa. Eram sobretudo as açafatas da Corte (umas sessenta, diz-se) que gastavam os seus ócios a tocar e cantar. Quem nos descreve esse fenómeno é William Beckford (1760-1844), que esteve em Lisboa entre Março e Novembro de 1787, num saboroso relato:

	

I had determined not to have stirred beyond the shade of my awning; however, towards eve, the extreme fervour of the sun being a little abated, old Home (who has yet a colt's-tooth) prevailed upon me to walk in the Botanic Gardens, where not unfrequently are to be found certain youthful animals of the female gender called Açafatas, in Portuguese; a species between a bedchamber woman and a maid of honour. The Queen has kindly taken the ugliest with her to the Caldas : those who remain have large black eyes sparkling with the true spirit of adventure, an exuberant flow of dark hair, and pouting lips of the colour and size of full-blown roses.


Havia eu resolvido não sair da sombra do meu toldo; todavia para a tarde, tendo abrandado um pouco o ardor do sol, o velho Horne – que ainda não tem o dente do siso – arrastou-me a um passeio no Jardim Botânico, onde não é raro encontrar umas certas criaturas novas, do género feminino chamadas em português “açafatas”; uma espécie entre a criada de quarto e a dama de honor. A rainha teve a amabilidade de levar as mais feias consigo para as Caldas; as que ficaram têm grandes olhos negros em que brilha o verdadeiro espírito das aventuras, ondas exuberantes de cabelos pretos, e carnudos lábios da cor e tamanho das rosas no seu pleno desabrochar.


	

William Beckford, Italy with sketches of Spain and Portugal, in two volumes, London, Richard Bentley, 1834, (2.º vol., pag. 30) A Corte da Rainha D. Maria I . Correspondência de William Beckford, 1787, Lisboa, Frenesi, 2003 – Tradução anónima de 1901, pags. 22

	

At a window immediately over his right reverence's shining forehead, we spied out the Lacerdas, two handsome sisters, maids of honour to the Queen, waving their hands to us very invitingly. This was encouragement enough for us to run up a vast many flights of stairs to their apartment, which was crowded with nephews and nieces and cousins clustering round two very elegant young women, who, accompanied by their singing-master, a little square friar, with greenish eyes, were warbling Brazilian modinhas. Those who have never heard this original sort of music, must and will remain ignorant of the most bewitching melodies that ever existed since the days of the Sybarites. They consist of languid interrupted measures, as if the breath was gone with excess of rapture, and the soul panting to meet the kindred soul of some beloved object. With a childish carelessness they steal into the heart, before it has time to arm itself against their enervating influence; you fancy you are swallowing milk, and are admitting the poison of voluptuousness into the closest recesses of your existence. At least, such beings as feel the power of harmonious sounds are doing so; I won't answer for hard-eared, phlegmatic northern animals.


Logo por cima da fronte luzidia de Sua Revd.ma descobrimos numa janela as duas formosas irmãs Lacerdas, damas de honor da rainha, convidando-nos por acenos a que subíssemos. Deu-nos isto o valor suficiente para ascendermos muitos lanços de escadas até ao seu aposento, que estava cheio de sobrinhos, sobrinhas e primos, fazendo roda a duas elegantes meninas, as quais, acompanhadas pelo seu mestre de canto – um frade gordo e baixo, de olhos esverdeados - , garganteavam modinhas brasileiras. Os que nunca ouviram esta espécie original de música, ficarão ignorando as mais feiticeiras melodias que têm existido desde o tempo dos Sibaritas. Consistem elas em compassos lânguidos e cortados, como se o excesso de arroubamento nos suspendesse a respiração, e a nossa alma anelasse encontrar a alma soror de algum objecto amado; insinuam-se no coração com uma descuidosa inocência, antes dele ter tempo de se armar contra a sua enervadora influência; imaginais estar bebendo leite e o veneno da voluptuosidade é que vai penetrar nos mais fundos recessos do vosso ser! É isto, pelo menos, o que acontece aos que sentem o poder da harmonia: não respondo pelos surdos e fleumáticos animais do norte.


	Idem, idem, 2.º vol. pag. 73-74	

Idem, idem, pags. 50/51


 

Esta sensualidade da modinha brasileira não agradava a toda a gente, como é evidente. Ribeiro dos Santos escreveu, enfastiado: “Tive finalmente de assistir a assembleia de F… (era a Marquesa de Alorna) para que tantas vezes tinha sido convidado; que desatino não vi? Mas não direi tudo quanto vi; direi somente que cantaram mancebos e donzelas cantigas de amor tão descompostas, que corei de pejo como se me achasse de repente em bordéis ou com mulheres de má fazenda:”

                  e

“Hoje, … só se ouvem cantigas amorosas de suspiros, de requebros, de namoros refinados, de garridices. Isto é com que embalam as crianças; o que ensinam aos meninos; o que cantam os moços, e o que trazem na boca donas e donzelas.” (De Teófilo Braga).


Como diz Gaspar Simões, “Gonzaga conhecia a modinha brasileira, e a música é o elemento rítmico estrutural das suas liras”. O elemento mitológico fica bem curto: ele é Dirceu, todas as suas amadas são Marília, Cupido é o amor. O conteúdo dos poemas é realista, não esconde nada. A inspiração é natural, a expressão é do mais simples que há:

Minha Marília, 
o passarinho, 
a quem roubaram 
ovos, e ninho, 
mil vezes pousa 
no seu raminho; 
piando finge 
que anda a chorar. 
Mas logo voa 
pela espessura, 
nem mais procura 
este lugar. 

Parte II, Lira 25


É um lirismo autêntico que mais tarde se encontra também em João de Deus, o que se explica pelo episódio contado por Jaime Batalha Reis.

                                      Nota - As citações dos poemas de Marília de Dirceu foram feitas da edição da Sá da Costa Editora, de 2008.

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TEXTOS CONSULTADOS


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