Vasco Fernandes Coutinho, 1º conde de Marialva

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About Vasco Fernandes Coutinho, 1º conde de Marialva

Vasco Fernandes Coutinho de alcunha o Ramiro (NFP, Gayo, COUTINHOS § 2 N 6).

O título nobiliárquico de “Conde de Marialva” foi atribuído por el-Rei de Portugal, D. Afonso V, a

Dom Vasco Fernandes Coutinho

, em 1440, sendo Regente do Reino D. Pedro Infante de Portugal, por aquele ilustre guerreiro se ter destacado, com bravura e valentia, nas campanhas militares no Norte de África. Dom Vasco, nascido 1385, recebeu não apenas o título de 1º Conde de Marialva, mas ainda o de 3º Marechal do Reino de Sua Majestade, Senhor da Vila de Marialva e Alcaide-mor de Trancoso. Descendia de uma linhagem nobre, sendo seu pai Dom Gonçalo Vasques Coutinho, 2º Marechal de Portugal e Senhor do Couto de Leomil.

Dom Vasco Fernandes Coutinho casou, em 1412, com Dona Maria de Sousa, filha legitimada de Dom Lopo Dias de Sousa, mestre da Ordem de Cristo. O seu filho primogénito, D. Gonçalo Coutinho, por morte do pai e porque filho primogénito, herdou o título de 2º Conde de Marialva, assim como os títulos que o seu progenitor possuía e todos os bens de família. Além disso, D. Gonçalo Coutinho pertenceu ao Conselho de El-Rei e foi Meirinho-Mor de Sua Majestade. Casou com Dona Brites de Melo, filha de Afonso de Melo, senhor de Barbacena, alcaide-mor de Évora, Olivença, Campo-Maior e Castelo de Vide e guarda-mor de El-rei D. João I, sendo sua mãe Dona Briolanja de Sousa. Dom Gonçalo, a exemplo de seu pai, também combateu nas campanhas do Norte de África, perdendo a vida na tomada de Tanger em 1464. Foi 3º Conde de Marialva, o seu filho João Coutinho que, a exemplo do pai e do avô, continuou a participar nas lutas no Norte de África, vindo também a falecer, ainda novo e solteiro, na tomada de Arzila, em 1471. Sucedeu-lhe seu irmão Francisco Coutinho que foi o 4º conde de Marialva, o único dos Marialvas que optou por não se envolver nas campanhas africanas. Casou, em primeiras núpcias, com Dona Isabel Ichoa, sendo designado por El-Rei, Senhor de Castelo Rodrigo. Por falecimento de Dona Isabel, casou com a 2ª condessa de Loulé, Dona Beatriz de Menezes. Como não tiveram filho varão, El-Rei Dom Manuel concedeu-lhes autorização para que sua filha, Dona Guiomar Coutinho, herdasse o título de 5ª condessa de Marialva e 3ª de Loulé. Dona Guiomar, no entanto, casou com o D. Fernando duque da Guarda, mas os seus filhos faleceram todos em criança, extinguindo-se assim a nobilíssima casa dos Condes de Marialva, que, no entanto, anos mais tarde, passou a marquesado, por mercê de D. Afonso VI que, em 1675, atribuiu o título de Marquês de Marialva a D. António Luís de Meneses, pelo papel importante e decisivo que teve na Revolução de 1640.

No entanto Vasco Fernandes Coutinho, 1º Conde de Marialva, teve mais dois filhos, para além de D. Gonçalo: D Fernando Coutinho, que foi o 4º marechal de Portugal e que casou em D. Joana de Castro Catarina de Albuquerque e D. Leonor Fernandes Coutinho que casou com Jorge Gonçalves Coutinho, filho Álvaro Gonçalves Coutinho, mais conhecido por “O Magriço”, e que se notabilizou como nobre, honrado e valente guerreiro, sendo um dos “Doze de Inglaterra”, episódio contado numa história narrada por Camões, no canto VI do Lusíadas, que terá acontecido no reinado de D. João I de Portugal e de Eduardo III de Inglaterra e que demonstra a típica conduta da honra e comportamento de acordo com o ideal da Idade Média

Entre os 15 navegadores portugueses, homens de bem, honrados, trabalhadores e valorosos guerreiros que acompanharam o flamengo Joss van Hurtere na sua primeira expedição à ilha do Faial havia um português de nome Alexandre Coutinho, filho de D. Jorge Gonçalves Coutinho e de Dona Leonor Fernandes Coutinho, e que, por ser neto do Conde de Marialva, passou a ser alcunhado por “O Marialva”. Joss van Hurtere, a fim de motivar aquele grupo de homens a acompanhá-lo em tão desconhecida e arrojada aventura, havia-lhes dado a entender e prometido, que os faria ricos, caso o acompanhassem na sua viagem às ilhas do Atlântico, pois a ilha que demandavam era rica em prata e estanho. Joss van Hurtere e seus companheiros desembarcaram pela primeira vez na ilha registada nos portulanos com o nome de ilha de São Luís, no areal da enseada a oeste, onde hoje está situada a Praia do Almoxarife, mas permaneceram na ilha, apenas durante um ano, altura em que, esgotando-se os mantimentos que tinham trazido, decidiram abandonar a ilha. Revoltados por não encontrarem nada do que lhes fora prometido, alguns dos companheiros de Joss van Hurtere, decidiram matá-lo. Valeu-lhe a lealdade do Marialva que o salvou, permitindo que regressasse à Flandres. Como recompensa, Hurtere levou-o consigo, no seu regresso à Flandres

Por volta de 1467, Hurtere regressou à ilha do Faial, numa nova expedição, organizada sob o patrocínio da Duquesa da Borgonha. Novamente trouxe consigo o seu fiel e leal amigo “Marialva”, juntamente com muitos outros homens e mulheres de todas as classes, origens e condições e bem assim alguns frades e tudo quanto convinha e era necessário para que se instaurasse o culto religioso na ilha. Deslocaram-se em vários navios carregados de víveres, de utensílios domésticos e de utensílios necessários à cultura das terras e à construção de casas.

Não satisfeito com o local onde desembarcara a quando da primeira chegada à ilha, Hurtere decidiu, nesta segunda vinda, contornar a Ponta da Espalamaca e desembarcar na baía de Porto Pim. Foi próximo do local de desembarque que, algum tempo depois, mandou erguer a Ermida de Santa Cruz. Para o compensar da sua lealdade, Hurtere doou ao Marialva terras e concedeu-lhe vários benefícios que fizeram dele um dos mais prósperos, ricos e importantes senhores de quantos habitavam a ilha. Quando Joss van Hurtere regressou a Lisboa para se casar com D. Beatriz de Macedo, foi ao Marialva que, provisoriamemte, entregou o governo e o domínio do Faial.

http://picodavigia2.blogs.sapo.pt/o-marialva-465023

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