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Família Leme: Genealogia, poder político e Capital Mercantil no Sul do Brasil / Family Leme: Genealogy, political power and Mercantile Capital in South Brazil

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A conquista e colonização do Brasil também foi o resultado de um longo processo de expansão espacial de famílias. Uma das principais famílias participantes da formação da Capitania de São Vicente, depois Capitania de São Paulo, foi a família Leme. Os Leme são originários de Flandres, sendo reconhecido como o primeiro membro desta família a Martin Lem, comerciante em Bruges por volta de 1400. A trajetória do ramo da família Leme que nos interessa parte de atividades relacionadas no comércio com Portugal, o que motivou a sua imigração e participação dos seus descendentes nas guerras e no esforço de formação do Império Marítimo Português. Estiveram na Ilha da Madeira em meados do século XV e foram pioneiros na colonização de São Paulo no século XVI. A estrutura inicial da família Leme já apontava alguns elementos típicos : Comércio e proximidade do poder político.

Braz Teves e Leonor Leme, falecida em São Paulo em 1633, eram os proprietários do engenho São Jorge dos Erasmos em São Vicente por volta do fim do século XVI. Posteriormente se mudaram para São Paulo, onde Brás Teves participou da governança. Uma das netas de Brás Teves e de Leonor Leme foi Lucrécia Leme, filha de Pedro Leme com Helena do Prado. Lucrécia casou-se com Francisco Rodrigues da Guerra e foram os pais de Ana da Guerra, por sua vez casada com Domingos de Brito Peixoto, filho de Domingos de Brito Peixoto, natural do Minho, Portugal, casado com Sebastiana da Silva, natural de Santos.

Domingos de Brito Peixoto foi morador em Santos e em São Paulo. Em 1676 organizou uma expedição com seus familiares, agregados e escravos para ocupar e fundar Laguna. Seu filho Francisco de Brito Peixoto foi o Capitão-Mor de Laguna e parece não ter se casado, mas teve vários filhos com índias da região. Participou de importantes expedições exploradoras e estabeleceu conexões econômicas na rota entre Laguna e os campos do nordeste do atual Rio Grande do Sul. Faleceu em 1733 em Laguna. Teve Francisco de Brito Peixoto os seguintes filhos :

  1. Domingos Leite Peixoto. Estancieiro em Tramandaí por volta de 1759.
  2. Ana da Guerra. Natural de Santos, faleceu em 1791. Foi a mulher de Diogo da Fonseca Martins. Foram os fundadores da Capela do Viamão.
  3. Maria de Brito. Casada com o espanhol Agostinho Guterrez.
  4. Catarina de Brito. Casada por volta de 1699 com o português José de Pinto Bandeira. Teve como filhos a José e Francisco Pinto Bandeira. O neto foi o Brigadeiro Rafael Pinto Bandeira.
  5. Sebastião.
  6. Vitor.
  7. Francisco.
  8. Ana de Brito. Mulher de João de Magalhães.

Nos filhos de Francisco de Brito Peixoto estavam alguns dos principais troncos dos povoadores do Rio Grande do Sul. Podemos mesmo afirmar que com a descendência de Francisco Brito Peixoto começa uma das principais estruturas demográficas e fundiárias da classe dominante tradicional do Rio Grande do Sul.

Um outro ramo da família Brito Peixoto parte do destino social de Maria de Brito e Silva, natural de Santos, filha de Domingos de Brito Peixoto com Ana da Guerra e irmã de Francisco Brito Peixoto. Foi casada com o Capitão-Mor Governador de São Vicente e São Paulo Diogo Pinto do Rego, português. Daqui vem a descendência do Paraná e de Santa Catarina. Maria de Brito e Silva casou com o Capitão-Mor Governador de São Paulo e São Vicente Diogo Pinto do Rego. Diogo era de uma tradicional família ligada ao Império, tal como os Lemes. Seu avô paterno tinha sido Manoel Paes da Costa, Governador de Angola. Diogo Pinto do Rego e Maria de Brito e Silva tiveram como filha a Ana Pinto da Silva, casada com o Capitão André Cursino de Matos, natural de Cascais. Pais de Domingos Pinto do Rego casado por sua vez com Maria Ferreira do Valle. A seqüência de posições sociais privilegiadas segue com o filho deles, Francisco Ferreira Pinto do Valle, casado com Joana Cordeiro Matoso que por sua vez foram os pais de Catarina de Senne casada com Gaspar Gonçalves de Moraes Cordeiro, o casal central na formação das famílias ligadas ao capital mercantil no litoral do Paraná no século XVIII e XIX.

O Capitão Gaspar Gonçalves de Moraes era filho do Capitão Pedro de Moraes Monforte, fundador da vila de Curitiba em 1693, com Catharina de Lemos, filha do Provedor das Minas de Paranaguá em 1674 Manoel Lemos Conde. O Capitão Gaspar foi Tabelião do Público Judicial e Notas, Escrivão de Órfãos, das Execuções e Almotaçaria da Vila de Paranaguá por Provisão de 23 de novembro de 1731. Faleceu em 1777. Pelo seu testamento de 1773 relata-se os seus herdeiros e as suas posses. Possuía terras em Paranaguá e em Curitiba. Teve nove filhos, dentre os quais :

  1. Padre Bento Gonçalves Cordeiro, Vigário de Guaratuba e de São Francisco do Sul.
  2. Capitão Manoel Gonçalves Cordeiro do Nascimento. Faleceu em Morretes com cerca de 90 anos em 1834. Pais de :
 

Pela análise genealógica dessa formação familiar da velha classe dominante, observa-se que este foi um dos principais troncos formadores dos grupos superiores tradicionais do Paraná. O padrão de concentração de atividades mercantis com o poder político pode ser analisado em sucessivas gerações dessa formação.

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