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Os Barões do Charque

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Profiles

  • Pedro Luiz da Rocha Osório (1854 - 1931)
    Em 9 de junho de 1854 nascia no povoado de Nossa Senhora da Assunção de Caçapava, atual Caçapava do Sul, PEDRO LUÍS DA ROCHA OSÓRIO, filho do Major José...
  • Antonio José de Azevedo Machado, Barão de Azevedo Machado (b. - 1891)
    Antônio José de Azevedo Machado, primeiro e único barão de Azevedo Machado (Portugal, ? - Rio Grande do Sul, 2 de setembro de 1891) foi um fazendeiro brasileiro. Chegou ao B...
  • Miguel Rodrigues Barcellos, Barão de Itapitocai (1826 - 1896)
    Miguel Rodrigues Barcellos, nasceu em Pelotas, RS em 22 de Junho de 1824 e faleceu na mesma cidade em 1 de Dezembro de 1896. Era filho do Comendador Boaventura Rodrigues Barcellos e de Silvana de Azeve...
  • João Francisco Vieira Braga, conde de Piratini (1793 - 1887)
    Foi um estancieiro, empresário e político brasileiro. Filho do capitão João Francisco Vieira Braga e Maria Angelica Barbosa, casou com Francisca Cecilia Firminiana Rodri...
  • José Júlio de Albuquerque Barros, Barão de Sobral (1841 - 1893)
    José Júlio de Albuquerque Barros, primeiro e único barão de Sobral, (Sobral, 11 de maio de 1841 — Rio de Janeiro, 31 de agosto de 1893) foi um político brasile...

O começo da história

No século 18, enquanto ocorria o ciclo econômico da mineração no Brasil envolvendo os estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, havia uma crescente valorização do rebanho de gado existente no Rio Grande do Sul, introduzido pelos jesuítas no século 17. Os bois serviam para a alimentação e as mulas para o transporte dos mineradores.

Para que fosse possível manter a carne em estado propício para ser consumida foi dado o início da conservação deste produto, primeiro através da sua secagem ao sol, na região do Ceará, sob a forma de carne de sol ou carne do sertão.

Entretanto, uma grande seca no Ceará em 1777 aniquila os rebanhos. Para sorte dos gaúchos, no mesmo período é assinado o Tratado de Santo Ildefonso, que permitia uma trégua na luta entre espanhóis e portugueses, possibilitando investimentos econômicos na região, até então exclusivamente criadora de gado, através da estância.

 

Em 1779 é registrada a chegada do retirante da seca, o português José Pinto Martins, que transfere-se do Ceará para o RS, estabelecendo a primeira charqueada industrial dentro dos limites da Vila do Rio Grande, fundada em 1737.

Esta primeira charqueada, localizada num dos distritos do futuro município, às margens do arroio Pelotas, protegeria a propriedade do vento e das areias do litoral, que arruinariam a produção. Outro ponto favorecedor era a fácil comunicação com o porto do Rio Grande através de iates.

A consolidação das fazendas

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A consolidação das charqueadas, grandes propriedades rurais de caráter industrial, só se dá no século 19, às margens dos arroios Pelotas, Santa Bárbara, Moreira e canal São Gonçalo. O gado, matéria-prima, era proveniente de toda a campanha rio-grandense, introduzido em Pelotas através do Passo do Fragata e vendido na Tablada, grande local dos remates na região das Três Vendas.

Ao contrário do que possa parecer, nas charqueadas não se criavam bois. Haviam raras exceções, como a Charqueada da Graça, mas essa criação não dava conta da produção total do charque.

Na chamada boca do arroio, entre o São Gonçalo e o arroio Pelotas, as terras foram rapidamente sendo tomadas por escravos. Só então a área adquire o nome de Passo dos Negros.

Com o progresso advindo da venda do charque, em 1812 acontece a criação da Freguesia e em 1832 a instalação da vila, oficialmente criada em 1830. Somente em 1835 a vila é elevada à condição de cidade. Charqueadores transferiram-se do Rio Grande e se fixaram em Pelotas, construindo palacetes, principalmente depois da criação da Vila.

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O charque

O charque era utilizado também para alimento dos escravos (outro era o bacalhau) em todo o Brasil e nos países que adotavam o sistema escravista, sobretudo o Caribe (Cuba, principalmente). Do gado, se aproveitava tudo: o couro, o pó dos ossos para fertilizante, o sangue para gelatina, a língua defumada, os chifres para várias utilidades. Esses produtos eram exportados para toda a Europa e os Estados Unidos.

O charque era quase exclusivamente produzido pelo Brasil. De concorrentes, apenas Uruguai e a Argentina. "Quando esses países estavam em crise, o que era comum em virtude das guerras civis, a produção pelotense atingia maior rentabilidade", enfatiza o historiador Magalhães.

A safra era sazonal e durava de novembro a abril. As charqueadas tinham em média 80 escravos, ocupados nos intervalos da safra em olarias nas próprias charqueadas, derrubadas de mato e plantações de milho, feijão e abóbora nas pequenas chácaras que cada charqueador possuía na Serra dos Tapes, onde ficam hoje a Cascata e as colônias de Pelotas.

Magalhães conta que os navios que levavam o charque não voltavam vazios. Traziam mantimentos, livros, revistas de moda, móveis, louças da Europa - e açúcar do Nordeste, consolidando a tradição do doce em Pelotas. "Embora aqui não se plantasse cana-de-açúcar, os doces de Pelotas chegaram a ser rivais dos do Nordeste, região açucareira por excelência."

Em 1820, eram 22 charqueadas (depoimento de Saint-Hilaire) e, em 1873, 38. "Número máximo que encontrei, num relatório da Presidência da Província", complementa.

Outro dado espantoso é o número de abates, num total de 400 mil cabeças de gado por ano. De acordo com as pesquisas de Magalhães, Simões Lopes Neto, na Revista do Primeiro Centenário de Pelotas, editada em 1911, comenta que até aquela data foram abatidas 45 milhões de reses e umas 200 firmas se sucederam.

O fim do ciclo do charque

As causas do encerramento do ciclo do charque em Pelotas foram várias. Uma das principais, a abolição dos escravos, quando deixa de existir o verdadeiro consumidor do produto. Magalhães explica que a concorrência de regiões gaúchas que antes apenas produziam a matéria-prima também foi outro golpe contra os charqueadores locais. "Depois de 1884, fundaram-se charqueadas em algumas cidades da fronteira, porque nesse ano estabeleceu-se a linha férrea, que permitia o escoamento do produto até o porto de Rio Grande."

O advento dos frigoríficos, na década de 1910, foi outra. Em 1918, restaram apenas cinco charqueadas em Pelotas. "O coronel Pedro Osório, que começou como charqueador, passou a plantar arroz em 1905, transformando-se no maior industrial do setor no mundo e conhecido como Rei do Arroz".

Os barões do charque

Nos séculos 18 e 19 o charque originou fortunas às margens do arroio Pelotas. Essa riqueza fez surgir uma nobreza criada em meio à carne e ao sal. Para justificar seus títulos, os barões das charqueadas ergueram casarões e palacetes que alteraram a paisagem do município e, hoje, há mais de um século, se transformaram em um patrimônio precioso, capaz de atrair investimentos e turistas. A presença dos nobres do charque é mais viva do que se pensa na Pelotas do século 21.

      

Quem foram estes aristocratas?

  • Domingos de Castro Antiqueira, Barão de Jaguari, Visconde de Jaguari - Charqueador, foi o primeiro a receber um título nobiliário na cidade, em 1829, depois de financiar campanhas militares do Império. Sua casa ainda existe na esquina das ruas Félix da Cunha e Sete de Setembro, onde funciona o Conservatório de Música da UFPel e SANEP.
  • João Francisco Vieira Braga, Barão, Visconde e Conde de Piratini - Charqueador, recebeu o título por financiar campanhas militares imperiais. Não há registros de sua residência urbana.
  • João Simões Lopes, Barão da Graça, Visconde da Graça - Charqueador, foi titulado por seu apoio político ao império na Revolução Farroupilha. Em 1876 foi "promovido" a visconde. Foi um dos poucos barões que estudou e se formou em Humanidades no Rio de Janeiro. Sua casa era onde hoje funciona a Casa da Criança São Francisco de Paula.
  • José Antônio Moreira, Barão de Butuí - Charqueador, foi um dos homens mais ricos de Pelotas. Recebeu o título por sua benemerência social. Foi provedor da Santa Casa. Morava na Casa 2 de esquina da praça Coronel Pedro Osório, onde se encontra a Félix da Cunha e a Lobo da Costa.
  • Francisco Gomes da Costa, Barão de Arroio Grande - Charqueador, ganhou o título ao libertar seus escravos quatro anos antes da assinatura da lei Áurea. Foi deputado provincial. Sua casa ficava na esquina das ruas Andrade Neves e Dom Pedro II e já foi demolida.
  • Felisberto Inácio da Cunha, Barão de Correntes - Charqueador, recebeu o título pela libertação antecipada dos escravos. Não há registros de sua residência urbana.
  • Leopoldo Antunes Maciel, Barão de São Luís - Charqueador, recebeu o título por conceder alforria antecipada aos seus escravos. Sua casa era a Casa 6 da praça Coronel Pedro Osório.
  • Aníbal Antunes Maciel, Barão dos Três Cerros - Charqueador, primo dos barões de Cacequi e São Luís. O, hoje, Parque e Museu da Baronesa era sua chácara.
  • Antonio José de Azevedo Machado, Barão Azevedo Machado - Charqueador. Sua casa era localizada na esquina das ruas Gonçalves Chaves e Sete de Setembro e se estendia até a atual rua Almirante Barroso. Era a única residência em estilo colonial.
  • Joaquim da Silva Tavares, Barão de Santa Tecla - Charqueador, ganhou o título ao apoiar financeiramente a Guerra do Paraguai. Sua casa, hoje demolida, ficava na esquina das ruas 15 de Novembro e Doutor Cassiano, onde hoje é um estacionamento.
  • Joaquim José de Assumpção, Barão do Jarau - Charqueador, foi provedor da Santa Casa. A casa de sua esposa na esquina das ruas 15 de Novembro e General Telles ainda existe.
  • Miguel Rodrigues Barcelos, Barão do Itapitocaí - Médico, ganhou o título por seu altruísmo para com os carentes e chegou a ser conhecido como o "pai dos pobres". Morava na rua Miguel Barcellos, onde hoje funciona a Escola Estadual Monsenhor Queiroz.
  • Manuel Alves da Conceição, Barão da Conceição - Comerciante, empresário e banqueiro, nascido em Portugal, era o único não-brasileiro entre os nobres pelotenses. Sua casa era o prédio de quatro andares na esquina das ruas 15 de Novembro e Voluntários da Pátria.
  • José Júlio de Albuquerque Barros, Barão de Sobral - O barão do qual existem menos informações. Sabe-se apenas que não vivia da indústria saladeiril. Não há registros de sua residência urbana.

Fontes: