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Pinheiro de Lacerda Genealogy and Pinheiro de Lacerda Family History Information

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About the Pinheiro de Lacerda surname

A mítica origem dos Lacerda portugueses

Os netos de Diogo Correa e D. Isabel Pereira começam a usar o nome composto Correa de Lacerda, que se manteve por muitas gerações, se bem que existam outras origens para a mesma conjugação de nomes, como por exemplos a dos descendentes de Fernão Correa e sua mulher D. Isabel Cardoso (filha de Nuno Cardoso e sua mulher D. Guiomar Pereira ou de Lacerda), que também a usaram. Este nome Lacerda surge inopinadamente em Portugal nos finais do séc. XV no seio de uma família cujos ascendentes não só não o usam como ostentam apelidos diferentes. E aparece a primeira vez em dois primos contemporâneos, ambos filhos segundos, numa família Serpa que já então não usava o nome da sua linhagem, preterido pelo nome Pereira, mais ilustre, que lhe vinha por via feminina. O Livro de Linhagens do Século XVI, cioso do conceito de linhagem e, portanto, das varonias, não trata estes Pereira por fêmea, radicados no Alentejo, sobretudo na Serpa original. Os referidos dois primos foram Manuel de Lacerda, 1º governador e capitão-mor de Goa (1510), que ainda se documenta como tal a 1.5.1527, e Esplandião de Lacerda, que teve de D. João III 5 moios de trigo de tença (67, 85), filhos respectivamente de Reimão Pereira e Diogo Nunes Pereira e netos de Rui Dias de Serpa e de seu irmão Nuno Pereira, sendo estes filhos de Diogo Nunes de Serpa e sua mulher Beatriz (Gonçalves) de Abreu. É portanto a este Diogo Nunes de Serpa que os bisnetos foram necessariamente buscar a origem comum do nome Lacerda, raciocínio que terá levado os genealogistas posteriores a atribuir a este Diogo uma fantasiosa filiação num não menos fantasioso Martim Gonçalves de Lacerda, que teria casado com D.Violante Pereira, filha natural do prior do Crato D. Álvaro Gonçalves Pereira. Logo pela onomástica se vê que estes pais não podiam nunca ter um filho chamado Diogo Nunes. De resto nem a cronologia o permite. A 15.5.1393 D. João I doou a Diogo Nunes de Serpa, cavaleiro seu vassalo, para si e seus sucessores, todos os bens móveis e de raiz que tinha Vasco Rodrigues, que foi almoxarife em Beja e andava em deserviço. Este Diogo Nunes de Serpa foi ainda senhor da quintã da Torre Velha, em Serpa. De Diogo Nunes de Serpa foi filho Álvaro Gonçalves de Serpa, escudeiro de D. João I e senhor da dita quintã da Torre Velha, em Serpa. A 13.7.1395 D. João I doou a Álvaro Gonçalves de Serpa, seu escudeiro, para si e seus descendentes, umas casas na vila de Serpa, depois de a 20.4.1384 lhe ter dado em préstamo essas ou outras casas em Serpa a Álvaro Gonçalves de Serpa, criado d'el rei D. Fernando, «assy como as trazia seu padre em prestemo do dcto rey dom fernado». De Álvaro Gonçalves de Serpa foi filho outro Diogo Nunes de Serpa, cavaleiro da Casa do infante D. Fernando, que sucedeu na quintã da Torre Velha, em Serpa. A 15.9.1454 D. Afonso V doou novamente a Diogo Nunes, cavaleiro do infante D. Fernando, os bens que haviam sido dados a Rui Dias, compensando este com o serviço novo dos judeus de Estremoz. Este Diogo Nunes de Serpa casou em 1417 com Beatriz (Gonçalves) de Abreu, filha de Gonçalo Anes de Abreu, senhor de Castelo de Vide, Monforte, etc. A 20.5.1417 D. João I confirmou a Diogo Nunes de Serpa a quinta de Armenta, junto a Sacavém, que seu sogro Gonçalo Anes de Abreu, seu vassalo, lhe deu em dote de casamento, quinta que fora de Lopo Fernandes Pacheco e este perdera, tendo-a o dito rei doado de juro e herdade ao dito Gonçalo Anes de Abreu (CJI, 3, 102v). Estes foram pais de Rui Dias de Serpa e de Nuno Pereira. A 28.8.1455 D.Afonso V privilegiou Rui Dias de Serpa, fidalgo da sua Casa, coutando-lhe a seu pedido uma quintã no termo da vila de Serpa a que chamam Torre Velha, tal como a tiveram seu avô e pai. A 22.12.1455 o mesmo rei perdoou a Rui Dias de Serpa, Nuno Pereira, seu irmão, João da Fonseca, Rui Pais, Álvaro Vasques e a João Martins, todos moradores na vila de Serpa, o tempo que lhes falta cumprir de um ano de degredo a que tinham sido condenados por umas mortes que tinham feito em Serpa, numa contenda com João de Mello. Rui Dias de Serpa e os seus (entre eles seu irmão mais novo Nuno Pereira) tiveram um grave conflito em Serpa com João de Mello e os seus, de que resultaram várias mortes e mais de uma vintena de cartas de perdão de 1452 para escudeiros, criados e apaniguados seus e desse seu irmão, igualmente morador em Serpa, sendo nessas cartas Rui Dias de Serpa referido como fidalgo da Casa Real, mas seu irmão não. Estaria ainda degredado quando a 6.3.1453 o rei privilegiou Rui Dias de Serpa, fidalgo da sua Casa, isentando todos os seus homens de servir na guerra, em serviço régio ou de outrem, salvo com ele próprio. Pouco depois, a 23.5.1453, o rei concedeu carta de privilégio a Rui Dias de Serpa, cavaleiro da sua Casa, para todos os seus caseiros, mordomos, apaniguados e lavradores da comarca e correição de Entre-Tejo-e-Odiana. Rui Dias de Serpa casou a 1ª vez com D. Margarida de Ataíde, de quem teve Diogo Nunes Pereira e certamente a D. Branca de Ataíde a quem em 1530 D. João III deu carta de coutada para a quinta da Torre Velha, em Serpa. Casou Rui Dias de Serpa a 2ª vez com D. Maria de Mello, de quem teve João Rodrigues Pereira, que tirou ordens menores a 8.9.1480 na Vidigueira («Johannem Roderici Pereyra legitimum filium quondam Roderici Didaci de Serpa et donne Marie de Meello habitancium in Serpa de legitimo matrimonio procreatum»), e D. Inez de Mello, casada com João Rodrigues da Câmara, 4º capitão donatário da ilha de S. Miguel. Muito provavelmente Rui Dias de Serpa foi ainda pai, talvez natural, do Rui Pereira que foi fidalgo da Casa do infante D.Fernando, coudel de Serpa, etc., e do Rui Dias, escudeiro, morador na vila de Serpa, que a 7.10.1475 foi nomeado vitaliciamente juiz perante os mouros e judeus da dita vila e a 22 seguinte e 3 de Novembro recebedor das sisas, com 2.000 reais de mantimento, e juiz das sisas da mesma vila. O Nuno Pereira que ficou acima (irmão mais novo de Rui Dias de Serpa) foi fidalgo da Casa do duque de Bragança (1464) e alcaide-mor e senhor dos direitos reais da Vidigueira e Vila Nova de Frades (1483), tendo falecido antes de 10.5.1509, data em que os herdeiros fizeram partilha dos seus bens, escritura onde se documenta a primeira vez seu neto, o referido Manuel de Lacerda. D. João II doou a 16.9.1483 a Nuno Pereira, fidalgo da sua Casa, os direitos reais da Vidigueira e Vila Nova de Frades e a 30.9.1483 as respectivas alcaidarias-mores. A 25.2.1505 João de Faria, fidalgo da Casa d'el rei e alcaide-mor da vila de Portel, teve confirmação de D.Manuel I do privilégio pelo qual lhe foi coutada uma herdade que se chamava das Valadas, no termo da vila de Serpa, com as confrontações declaradas, que lhe fora dada em casamento pelo sogro, Nuno Pereira, fidalgo da Casa d'el rei e morador nesta vila, a quem fora concedido esse privilégio para uma terra e assentamento de herdades, que chamam da Figueira, de que faz parte a herdade citada. Parece que Nuno Pereira foi também alcaide-mor de Portel, vila onde vivia em 1480 com sua mulher D. Guiomar, quando tiraram ordens menores em Évora os filhos de ambos Álvaro Pereira, Rui Dias, Garcia Pereira, Henrique Pereira, Duarte Pereira, Henrique Pereira e João. Sua mulher D. Guiomar morreu antes de 19.6.1485, data da escritura lavrada em Serpa pela qual os seus bens foram partilhados pelo viúvo e os treze filhos de ambos, cinco já casados e os restantes menores, como refiro nas minhas Reflexões sobre a origem dos Pinheiro, de Barcelos.

Alão começa esta família num Martim Gonçalves de Lacerda casado com D. Violante Pereira, seguindo assim a informação de Afonso de Torres, segundo o qual Afonso Lopes de Haro passou a 27.9.1617 uma certidão a Nuno Álvares Pereira segunda a qual os Pereira de Lacerda portugueses descendiam de um Martim Gonçalves de Lacerda, fidalgo castelhano da Casa dos duques de Medina Celi, que passou a Portugal no reinado de D. Fernando, a quem este rei doou os lugares de Punhete, Sardoal, Galegã, Borralha, Amêdoa e Sovereira Formosa, e aqui casou com D. Violante Pereira, filha do prior do Crato. Mas, talvez apercebendo-se do erro, logo Alão acrescenta que outros dizem que foi Afonso Fernandes de Lacerda o castelhano que passou a Portugal no reinado de D. Fernando, a quem este rei doou as vilas de Sardoal, Golegã, Borralha, etc., e que casou com a dita com D. Violante Pereira. Na verdade, foi a Afonso Fernandes de Lacerda que D. Fernando doou em 1369 as vilas de Sardoal, Golegã, Borralha e Punhete. E a 3.5.1372 doou-lhe todas as jurisdições de metade de Amêndoa (freguesia do concelho de Mação, distrito de Santarém). A certidão seiscentista de Afonso Lopes de Haro inventou um Martim Gonçalves de Lacerda, que desde então infestou a genealogia portuguesa (porque quando aparece em D. António de Lima Pereira é já certamente acrescento de um dos seus seus continuadores, nomeadamente D. Jerónimo de Ataíde). E, como veremos, inventou também o seu casamento com a filha do prior do Crato.

Mas a dita certidão não diz como se estabelecia a ligação entre esse mítico Martim Gonçalves de Lacerda e os mais antigos ascendentes conhecidos dos Pereira de Lacerda, pelo que ficou à imaginação dos nossos genealógicos estabelecer esse entroncamento, o que afoitamente fizeram sem qualquer respeito pela cronologia, onomástica e estatuto das pessoas envolvidas.

Quer pelo patronímico quer mesmo pela não sucessão nestes senhorios, para já não falar no nome de família e estatuto, é evidente Diogo Nunes de Serpa não era nem podia ser neto paterno daquele Afonso Fernandes de Lacerda. Mas podia ter casado com uma sua neta materna, limitando-se as genealogias tardias a transformar o sogro em pai, mesmo trocando-lhe o nome? Já Luiz de Mello Vaz de São-Payo propõe que este Diogo Nunes de Serpa tenha casado com uma Lacerda, que diz possível filha de um Martim Gonçalves e de uma filha natural de D. Juan de la Cerda e de sua amante judia Sol Martinez, numa solução engenhosa mas na verdade impossível. Aquele Afonso Fernandes de Lacerda é, na verdade, D. Alfonso Fernández de la Cerda, filho do infante D. Juan Alfonso de la Cerda, senhor de Gibraleón, Real de Manzanares, Huelva y Deza, e de Maria de Luna. Partidário de Pedro I o Cruel na guerra contra D. Enrique de Trastamara, em 1369, com a morte de Pedro I, apoiou as pretensões de D. Fernando I ao trono castelhano e veio para Portugal, onde casou com D. Leonor de Menezes, de quem teve um único filho conhecido, D. Juan Alfonso de la Cerda, senhor de Villoria, falecido em 1393, casado com D.Maria Alvarez de Albornoz, com geração. D. Alfonso Fernández de la Cerda casou 2ª vez com Mor Martins, senhora de La Vega de Armijo, de quem teve D. Leonor de la Cerda, senhora de La Vega de Armijo, que casou com Luiz Messía. É assim aceitável que os Lacerda que vão mais tarde aparecer em Portugal, descendentes de Diogo Nunes de Serpa, de alguma forma descendam deste D. Alfonso Fernández de la Cerda, o único desta família que esteve em Portugal nesta cronologia. Mas como? A verdade é que Diogo Nunes de Serpa se documenta como cavaleiro de D. João I em 1393 e seu filho Álvaro Gonçalves de Serpa como escudeiro do mesmo rei em 1395. O neto, também Diogo Nunes de Serpa, casou em 1417, documenta-se como cavaleiro em 1454, e os bisnetos, Rui Dias de Serpa e Nuno Pereira, documentam-se desde 1453. Deste conjunto cronológico podemos concluir que Álvaro Gonçalves de Serpa não nasceu depois de 1375 e provavelmente nasceu antes, cerca de 1368. Assim, não podia ser neto (materno) D. Alfonso Fernández de la Cerda, que só em 1368 veio para Portugal. Logo, se esta ligação existiu, Álvaro Gonçalves de Serpa tinha de ser genro deste D. Alfonso Fernández de la Cerda. Quer isto dizer que foi seu pai Diogo Nunes de Serpa que casou com D. Violante Pereira, o que é cronologicamente mais aceitável. De resto, este casamento de Diogo Nunes de Serpa com uma filha de D. Frei Álvaro Gonçalves Pereira, além de acertar na cronologia, vem explicar devidamente porque razão o filho se chamou Álvaro Gonçalves de Serpa, ou seja: usou o prenome e patronímico do avô materno, o incontornável prior do Crato D. Frei Álvaro Gonçalves. Portanto, se houve alguma ligação com os la Cerda, como o uso deste nome pela descendência, umas gerações mais tarde, parece indicar, esse casamento ter-se-á realizado justamente com Álvaro Gonçalves de Serpa, que de facto pode ter casado (antes de 1396) com uma filha, legítima ou bastarda, de D. Alfonso Fernández de la Cerda. Se de facto era neto materno de D. Frei Álvaro Gonçalves Pereira, portanto sobrinho do condestável D. Nuno Álvares Pereira, Álvaro Gonçalves de Serpa teria já o estatuto mínimo para que se aceite um casamento com uma filha de D. Alfonso Fernández de la Cerda, se bem que a falta quer de notícia genealógica concreta quer de rasto documental possa colocar em causa esta hipótese, sobretudo se a filha for legítima. Afinal, tratava-se de uma 4ª neta na varonia de D. Afonso X, o Sábio. O apetecido nome Lacerda ficou assim em letargia durante várias gerações, para reaparecer inopinadamente nos finais do século XV? Pode ser, se bem que também pode ter acontecido que tenha sido usado ao longo do séc. XV por algumas senhoras da família, que não tiveram geração e das quais não ficou registo, o que teria ajudado a manter a sua memória familiar. Como quer que seja, esta hipótese tem, pelo menos, consistência cronológica e onomástica, não é contrariada pela documentação conhecida, tem viabilidade histórico-sociológica e dá resposta aos indícios de ligação familiar aos Lacerda que se verificam no século seguinte.

De salientar, a propósito, que D. Manuel I mandou a 15.4.1508 passar carta de armas da «Casa e linhagem dos de Lacerda» a Manuel de Góis de Lacerda, documento que infelizmente não revela a sua ascendência. As genealogias também não o referem, embora dêem conta de dois casamentos entre estes Serpa/Pereira/Lacerda e Góis, um deles entre Nuno Álvares Pereira e Beatriz de Góis, filha de Luiz de Góis, tesoureiro de D. Manuel I, e outro entre Heitor Pereira e D. Leonor de Góis, talvez irmã deste tesoureiro. O primeiro caso está cronologicamente fora de causa, uma vez que Nuno Álvares Pereira era filho do Rui Dias Pereira que tirou ordem menores em Portel em 1480 e, como vimos, ainda era menor de idade em 1485, pelo que não podia ter um neto armigerado em 1508. No segundo caso, aquele Heitor Pereira é referido por Afonso de Torres, que o diz solteiro, sem geração, e irmão do já referido Espandião de Lacerda. Mas depois acrescenta que José de Quevedo diz que o dito Heitor Pereira viveu casado em Serpa com D. Leonor de Góis, com geração. Ora, a 18.3.1487 D. João II deu carta de privilégio de fidalgo a um Heitor Pereira que bem parece ser este, embora a cronologia não permita que fosse irmão mas sim tio de Espandião, portanto filho de uma das duas mulheres de Rui Dias Pereira ou até seu filho natural. Ou seja, teriam razão Afonso de Torres (o Heitor irmão de Espandião não teve geração) e José de Quevedo (um Heitor Pereira casou em Serpa com D. Leonor de Góis). Assim sendo, aquele Manuel de Góis de Lacerda pode ter nascido cerca de 1480 ou mesmo antes.

http://www.soveral.info/mas/Correia.htm