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Em 1633, o fidalgo Manuel Raposo Pessanha redigiu um tombo de todos os bens que possuía, vinculados ou livres. Entre eles, a fl. 2 “Huãs Cazas em a cabeceira da Rua dereitta”, onde ele próprio morava, sendo esta a mais antiga referência a um edifício na localização actual do Palácio.
Manuel Raposo Pessanha viveu vários anos em Castro Verde, ao serviço da Casa Ducal de Aveiro, tendo morrido depois de 1651.
Sucedeu-lhe o seu filho João Ascenso Raposo Pessanha (?-Santiago do Cacém, 07-02-1702), que ocupou as funções de capitão-mor de Santiago do Cacem, provedor da Misericórdia, por diversas vezes vereador e foi 2.º morgado dos Raposos.
O 3.º morgado, Manuel Raposo Pessanha, igualmente filho do anterior, foi provedor da Misericórdia em 1689 e vereador em 1688; morreu solteiro e sem geração em 03-05-1693.
O 4.º morgado, André Ascenso Raposo (?-Santiago do Cacém, 19-02-1740), irmão do antecedente, foi vereador entre os anos de 1700 e 1713, capitão-mor de Santiago do Cacém e provedor da Misericórdia. O 5.º morgado, André Ascenso Salema (?-Santiago do Cacém, 01-04-1773), filho do antecedente, foi capitão-mor de Santiago do Cacem e provedor da Misericórdia.
José Joaquim Salema de Andrade Raposo Pessanha (Santiago do Cacém, 1757-?), 6.º morgado, sargento-mor de Ordenanças e depois capitão-mor da vila de Santiago do Cacém, deu início à construção do Palácio da Carreira.
José Joaquim Salema de Andrade Guerreiro de Aboim (Santiago do Cacém, 02-09-1782- Santiago do Cacém, 09-04-1862), 7.º morgado, deixou o morgadio ao seu sobrinho-neto, o 3º conde de Avillez, Jorge Salema de Avillez Juzarte de Sousa Tavares (Santiago do Cacém, 31-01-1842- Santiago do Cacém, 04-12-1901).
Quando o conde tomou posse do edifício situado ao topo da Rua Direita, em agosto de 1862, este é dado como estando arruinado, no entanto parece ter sido uma ampla residência nobre, com catorze divisões no piso superior e uma água-furtada, o que pressupõe a existência de um sótão, mais sete divisões de serviço no piso térreo, onde se incluíam as cavalariças. O edifício tinha ainda três quintais anexos, alguns com árvores de fruto. O conde e a sua esposa, D. Maria Carolina de Sousa Feio (Beja, 12-08-1844-Santiago do Cacém, 03-11-1926), transformaram a casa nobre herdada nos bens do morgadio e localizada ao topo da Rua Direita no Palácio que hoje conhecemos, sendo este já assinalado num documento datado de 1877.
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Edifício mandado construir entre 1785 e 1808, possivelmente pelo 6º morgado do vínculo dos Raposos, o fidalgo José Joaquim Salema de Andrade Raposo Pessanha (1757-?) e terminado pelo seu filho José Joaquim Salema de Andrade Guerreiro de Aboim (1782-1862), 7º morgado dos Raposos.
Ambos ocuparam o cargo de capitão-mor da vila de Santiago do Cacém e, este último, evidenciou-se precisamente no ano de 1808, em que liderou a revolta contra os invasores franceses, tendo sido eleito para presidir à Junta de Governo de Santiago do Cacém.
Apesar de a conclusão da construção do edifício datar do ano da luta contra os invasores franceses, a decoração das várias salas e salões do palácio terá decorrido entre 1790 e a segunda metade do século XIX.
Com a morte do 7º morgado dos Raposos, José Joaquim Salema de Andrade Guerreiro de Aboim, o palácio passou por herança para o seu sobrinho-neto, José Maria Salema de Avillez (1844-1890), irmão do 3º conde de Avillez.
Este vendeu o edifício a D. Maria Augusta de Campos, que por sua vez o vendeu também, na década 1870, ao Dr. Luís Maria da Silva (1842-1893), mantendo-se até hoje na posse dos seus descendentes. O filho deste último, Dr. João Gualberto da Cruz e Silva (1881-1948), que residiu no palácio, foi um distinto arqueólogo, a quem se deve o retomar das escavações sistemáticas em Miróbriga (mais de um século depois das primeiras campanhas de escavação da cidade romana) e que, com as suas colecções de arqueologia e numismática, fundou o Museu Municipal de Santiago do Cacém.
in, http://www.patrimonius.net/detalhes.php?i=227
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José Joaquim Salema de Andrade Guerreiro de Aboim nasceu em 1782, em Santiago do Cacém, sendo batizado no oratório da casa de seus pais, na mesma localidade, em 2/9/1782. Foi sua madrinha D. Madalena Vicência de Mascarenhas, filha do 3.º marquês de Fronteira e viúva de Luís Guedes de Miranda Henriques, senhor de Murça e 8.º morgado do vínculo instituído pelos Pantoja em Santiago do Cacém.
Seu pai, José Joaquim Salema de Andrade, então capitão-mor de Santiago do Cacém, era o 6.º morgado do vínculo dos Raposos e sua mãe, D. Maria Perpétua Rosa de Aboim Guerreiro, era filha do capitão-mor de Mértola, João Camacho Guerreiro de Aboim, senhor da Casa de Espargosa. Os dois vínculos acabariam por ser herdados por José Joaquim Salema de Andrade Guerreiro de Aboim.
A família Salema de Andrade possuía as terras da Carreira junto ao secular arruamento do mesmo nome que, no início do século XX, receberia o nome “Rua Condes de Avillez” e onde o 6.º morgado dos Raposos mandaria construir, 3 anos depois do nascimento do filho, o Palácio da Carreira, o mais belo edifício neoclássico do Centro Histórico de Santiago do Cacém.
Esta casa seria herdada, ainda em construção, por José Joaquim Salema de Andrade Guerreiro de Aboim, que concluiu a obra em 1808.
Neste último ano, José Joaquim de Aboim ocupava o cargo de capitão-mor de Santiago do Cacém (tal como o seu pai e o seu avô antes dele), tendo sido eleito, pelos três estados (clero, nobreza e povo), como presidente da Junta de Governo de Santiago do Cacém, que organizou a resistência contra os invasores franceses entre a margem sul do Rio Sado e Sines.
Ocupou diversos cargos públicos na vila de Santiago do Cacém, incluindo a presidência da Câmara, que exerceu várias vezes.
Distinguiu-se durante as lutas pela implantação do liberalismo, tendo perfilhado, depois da Guerra Civil de 1832-34, os ideais setembristas, da ala mais à esquerda no espectro político liberal.
Estava alinhado neste partido durante a Guerra Civil Patuleia (1846-1847), tendo sido, junto com o seu sobrinho conde de Avillez, um dos mais ilustres membros deste movimento em Santiago do Cacém, alvo da vigilância constante das forças cartistas e cabralistas.
José Joaquim de Aboim foi um homem de grande cultura e sensibilidade artística, senhor de uma imensa fortuna fundiária. Faleceu solteiro, no seu Palácio da Carreira, em 9/4/1862.
| 1757 |
February 1, 1757
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| 1780 |
1780
Age 22
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| 1782 |
1782
Age 24
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