Trajano Joaquim dos Reis

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Trajano Joaquim dos Reis

Birthdate:
Birthplace: São Félix, Bahia, Brazil
Death: Died in Curitiba, Parana, Brazil
Cause of death: síncope cardíaca
Immediate Family:

Son of Joaquim José dos Reis and Emília Joaquina Pereira
Husband of Josefina Cândida Drummond
Father of Albano Drummond dos Reis; Jayme Drummond dos Reis and Ormuzde Drummond dos Reis

Occupation: médico
Managed by: Carla Assenheimer (C)
Last Updated:

About Trajano Joaquim dos Reis

Trajano Joaquim dos Reis, nasceu em São Felix, na Bahia, em 19 de março de 1852 e era filho de Joaquim José dos Reis e de Dona Emilia Joaquina Pereira. Formou-se na Faculdade de Medicina de Salvador em 18 de dezembro de 1875 sendo que na mesma data casou-se com Dona Jesephina Cândida Drumond. Poucos dias depois foi nomeado pelo Imperador D. Pedro II para o Corpo de Saúde do Exercito, tendo sido transferido para o Paraná com o posto de Major Cirurgião-Mor. Desembarcou em Paranaguá em 19 de Julho de 1876, tendo chegado a Curitiba dia 21 do mesmo mês. Logo se instalou com residência e consultório na Rua dos Alemães ( hoje Rua 13 de Maio ), cativou a todos com seu jeito simples de ser, extremamente simpático e culto, cercando-se logo de muitos amigos. Trajava-se com muito esmero, vestindo sempre casaca e cartola o que lhe dava um aspecto singular. Todos logo habituaram-se com sua figura montando um belo cavalo e saindo para atender doentes que residiam mais longe. Inúmeras vezes velava os seus doentes uma noite inteira, retirando-se ao amanhecer após certificar-se que estava fora de perigo. Esta dedicação logo teve seu reconhecimento. O Curitibano aprendeu a respeitar e estimar tão dedicado médico, sendo seu trabalho agradecido pelos jornais, uma forma de levar ao conhecimento de toda a população o magnífico trabalho desenvolvido, com um detalhe, dos pobres nada cobrava. Em 1882 é escolhido pelo povo para a Câmara Provincial, fazendo parte de inúmeras comissões, sempre defendendo com ardor os interesses da terra que o acolhera. Em 1883 a Sociedade Portuguesa Beneficiente publica nos jornais, veemente agradecimento por seus trabalhos médicos gratuitos aos membros protegidos pela instituição. Também em 1883 aparece como Presidente da Câmara Provincial, cargo este obtido visto o magnifico resultado dos trabalhos desenvolvidos, dentre os quais se destaca o projeto que proporcionou a Curitiba iluminação pública por meio de eletricidade. Por seus relevantes serviços prestados à comunidade, recebeu homenagem que poucos recebem em vida, em outubro de 1883 o prefeito Luiz Alves de Oliveira Belo, determina que a rua que liga a Rua da Imperatriz ( atual XV de Novembro ) à Estação da Estrada de Ferro, seja denominada Rua Dr. Trajano ( hoje Rua Barão do Rio Branco ). Seus trabalhos continuam sendo enaltecidos tanto como médico como político, tendo Silveira Neto, assim descrito sua humilde pessoa num jornal de nossa cidade: "Não é só o desvelo que emprega na missão de seu apostolado, na inteligência com que sabe honrar o seu anel simbólico, nem no extremoso carinho que o enfermo pobre encontra nele, que o denotado médico evidencia as apreciáveis qualidades que firmam a sua reputação; pois, os magnos interesses gerais do lugar onde vive e da sociedade que o rodeia têm, por vezes, achado em sua energia de caráter e na pureza dos seus sentimentos o fidalgo abrigo dos missionários da Ordem e do Direito; e assim é que, elevado à Presidência da Câmara Municipal de Curitiba, no período monárquico, assinalou a sua estada no execício desses cargos com o mais correto procedimento que pode ter o homem compenetrado do seu valor e da austera retidão da dignidade. Estudos estranhos à carreira que tomou para a linha reta da existência como a Linguística, direito etc., constituem o passatempo do operoso clínico baiano". A 5 de fevereiro de 1893 por problemas de saúde, o Irm.´. Trajano e seus familiares retornam à terra natal, a Bahia. Faltaram espaços nos jornais para as manifestações daqueles que o admiravam e o chamavam de "médico dos pobres". sua despedida na Estação da Estrada de Ferro, juntou um número de pessoas antes nunca visto, presumindo-se que quase metade da população lá estivesse. Na Bahia sua saúde se recuperou logo, e a idéias de regressar à sua querida Curitiba, transformou-se em realidade em janeiro de 1894. Curitiba se engalanou quando de sua chegada e nova multidão lá estava para receber aquele que tanto amavam. O governador Xavier da Silva confia-lhe o cargo de Inspetor Geral de Higiene, confiante na sua capacidade de trabalho e na certeza de que teria o homem certo para combater inúmeras epidemias que atormentavam a população curitibana. Neste cargo sua labuta foi imensa, isto sem se descuidar de suas atividades como médico principalmente dos menos afortunados pela sorte. Sua residência passou então a ser na Rua do Serrito nº 19 ( hoje Rua Carlos Cavalcanti ) onde permaneceria até o final de sua vida. Mas assim como haviam os bons momentos, haveriam também os maus momentos na vida do Irm.´. Trajano. O primeiro foi sem dúvuda o atentado sofrido por seu filho Albano Reis, magistrado brilhante, que por desavenças políticas quase tem sua vida roubada em um covarde atentado em 18 de maio de 1906. Entretanto a grande provação passada pelo Irm.´. Trajano seria com seu querido filho Jayme Reis que fazia da vida de seu pai um exemplo para si próprio como médico e político. Por motivos não muito claros até hoje, na noite do dia 7 de dezembro de 1912, ao retornar a sua residência é ferido mortalmente num atentado. De nada adiantaria a dedicação e os conhecimentos médicos de Trajano e seus colegas de profissão, vindo Jayme a falecer na noite do dia seguinte. A dor pela morte do filho foi grande, tendo o Irm.´. Trajano se retirado da vida pública, dedicando-se apenas a seu consultório e à Maçonaria. Mas . . . o tempo passa e aos poucos seus amigos e IIrm.´. o trazem de volta para a vida agitada da política sendo eleito Deputado Estadual em 7 de novembro de 1915. Em 14 de fevereiro de 1916 é eleito por seus companheiros para Presidente do Congresso com 16 votos dos 17 votantes. Apesar da idade ( 64 anos ), o Irm.´. Trajano consegue além de ser um atuante político, dar conta de seu consultório onde os pobres em número cada vez maior sempre têm a preferência aqueles que podem pagar pela consulta. Como no ano anterior ele não faltou a nenhuma sessão do Congresso, razão pela qual é reeleito Presidente em 27 de janeiro de 1918. Neste último ano ele fala a seus companheiros: "Mais uma vez agradeço aos nobres colegas a prova de confiança com que acabam de honrar-me, elegendo-me para continuar os trabalhos legislativos. Espero, confiante em Deus, poder corresponder a generosidade de Vossas Excelências". .... O Irm.´. Trajano como era de seu costume, não faltava a uma Sessão seja do Congresso ou do Gr.´. Or.´.. No caminho conversava com os amigos e clientes, quase todas as pessoas que encontrava na rua o conheciam e de alguma forma algum favor lhe deviam. Lia muito e escrevia, companheiro da esposa, pai carinhoso sempre preocupado com seus filhos Albano e Ormuzde. Bricava com os netos que na época eram em número de 16, transmitindo-lhes todo o amor e sabedoria que possuía. Andava muito pela chácara, usufruindo a paz concedida aos justos e bons. Levantava-se muito cedo, tanto é que no dia 12 de agosto de 1919, foi visto por volta da 7 horas conversando com seu fiel amigo, compadre e Irm.´. Benjamin Lins. Às 7h30m corre por toda a cidade a notícia dolorosa: "falecera de síncope cardíaca, o Dr. Trajano Joaquim dos Reis". Muitos custaram aacreditar e para confirmar dirigiam-se à sua residência. Lamentavelmente aquele que fora conhecido como o "médico dos pobres", havia partido para o Or.´. Eterno. Foi um dia de luto para toda a cidade. As LLoj.´. do Gr.´. Or.´. do Paraná e do Gr.´. Or.´. do Brasil, suspenderam seus trabalhos. Por mais que houvesse divergencias na Maçonaria paranaense, o respeito de todos pelo Irm.´. Trajano estava acima de tudo. O Governador do Estado, nosso Irm.´. Afonso Camargo, decretou luto oficial por três dias, suspendendo o expediante nas repartições publicas, e comunicando à família que as despesas do funeral correriam por conta do Governo. A Universidade Federal, cujo reitor era seu genro e também Irm.´. Desembargador Vieira Cavalcanti, suspendeu as aulas em sinal de luto. Antes de sair o féretro, houve a tradicional e comovente Cerimônia de Pompa Funebre, tendo usado da palavra os IIrm.´. Afonso Camargo em nome do Governo e da população e Benjamin Lins em nome da Maçonaria. Parte o féretro, atrás do coche negro, seguiam todas as Lojas Maçônicas de Curitiba incorporadas e uma multidão incalculável, onde pobres e ricos lado a lado caminhavam em silêncio, conduzindo o bondoso médico à sua ultima morada. Havia acabado a missão terrena do Irm.´. Trajano Reis, mas seu exemplo ficava marcado nas páginas da história, afinal ele fora mais paranaense do que muitos que aqui nasceram. ( Transcrito da revista maçônica "A Trolha", nº 77 - Março/1993 - Autor: Carlos Alberto Brantes. )

Fonte: Museu Maçonico Paranaense

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Trajano Joaquim dos Reis's Timeline

1852
March 19, 1852
São Félix, Bahia, Brazil
1880
April 8, 1880
Age 28
Curitiba, Paraná, Brazil
1919
August 12, 1919
Age 67
Curitiba, Parana, Brazil
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